Em algumas épocas do ano a estultícia humana ganha robustez. E essa robustez vem do fato de não termos nenhuma ideia sobre o futuro, podemos nos garantir em muita coisa (será?), mas não podemos ter nenhuma garantia sobre o dia de amanhã. Pode nem haver amanhã, sabemos disso. E diante dessa verdade que produz tanto medo, inventamos os credos, as religiões, as “vidências”, as cartas, as numerologias, tudo para “garantirmos” o impossível: uma certeza no amanhã.

Nesta época do ano, por exemplo, quando “imaginamos” o amanhã do Ano-Novo, nos agarramos a muitas crenças para aplacar as ansiedades: mandingas, simpatias, crendices, sortilégios de toda sorte, vale tudo...

Quantas pessoas, talvez você mesma/o, já tenha feito esta pergunta: - “Qual a melhor cor de roupa que eu devo usar para o Revéllion”? A pergunta devia ser outra: - “O que devo mudar na minha cabeça para que o Ano-Novo me seja melhor”?

Essa seria a pergunta certa, acreditar em simpatias a nada nos leva. Só o que nos pode mudar a vida é a nossa cabeça. O sujeito pode fazer a promessa que quiser, ao Santo mais poderoso, ao deus mais ativo e... nada vai acontecer se a pessoa não regar o solo da sua vida com a água benta do suor, isto é, do trabalho, do fazer, do acontecer. Nada mais.

Ocorre que as pessoas não querem admitir que suas cabeças são loucas ou quase isso, não querem acreditar que agem mal, que andam fora dos eixos da vida, mas mesmo assim esperam melhor sorte trocando a cor da blusa ou fazendo uma oração... Nosso “destino” depende de nós, pelo menos no que nos compete, que é quase tudo. Fora das tragédias acidentais da vida, todo o resto vai para a nossa contabilidade de administração pessoal. Semeamos e colhemos, a semeadura é decisão da cabeça, da cabeça que ninguém pensa em trocar na passagem de ano, melhor é trocar de blusa ou cueca...

Já me prometi muitas mudanças, nunca consegui realizá-las, ou as esqueci ou de nada adiantaram, mas é bom lembrar que promessas verbais não nos mudam em nada, o que nos muda é decidir e agir. O mais é obscurantismo do tempo das cavernas que, falando bem baixinho, é onde ainda vivemos, não é mesmo leitora? Ah, cabei de fazer uma promessa: não me prometer mais nada.

PERGUNTA

A questão estava num jornal, Caderno de Profissões:  - “Como saber que curso é melhor para seu futuro”! Ué, o “esperto”, ele ou ela, não sabe que curso fazer? Vão escolher o curso pelo que está na moda ou pelo que pode pagar mais? Tenho o mais profundo desprezo pelo jovem que não sabe o que quer da vida, que precisa de ajuda para escolher a profissão... Como é que para as “indecências” não precisaram de ajuda, hein, “anjinhos” da mamãe?

EXEMPLOS

Dizem que os exemplos educam, pois não? Então, eu lhe pergunto: Qual seria o resultado se todos os dias tivéssemos um programa na televisão contando casos de pessoas que saíram do nada, pobres da cabeça aos sapatos e que chegaram à realização pessoal e profissional na vida? - Ah, não daria audiência? Entendo! Então vamos continuar noticiando crimes, barbarismos e ladroagens de canalhas bem-vestidos. De fato, dá mais audiência, os semelhantes se atraem...

FALTA DIZER

Não é de hoje que... O Brasil é campeão mundial em consumo de produtos de beleza. Nada contra. Mas a beleza não pode ser só por fora. E os cuidados com o trabalho, como andam? Ser bonita por fora e uma paspalha no trabalho não fecha a conta... Maioria absoluta.