Os jovens, por favor, podem folhear o jornal, procurar por diversões ou parecidos, o assunto de que vou tratar, ou especular, não é para jovens, é para os mais vividos. Jovens vivem o aqui e agora, os mais vividos vivem no futuro. E quem são os mais “vividos”? Você, leitora, você, leitor. – Ah, estás nos chamando de velhos? Não, os estou chamando, isso sim, é de mais vividos... Esta conversa iniciada pela porta dos fundos, leitora, veio-me à cabeça lendo alguns trechos de Sêneca, o pensador latino. Ele costumava dizer que – “O ser humano vive preocupado em viver muito e não em viver bem, não depende só dele o viver muito e sim o viver bem”. Você discorda? Duvido. Fazemos planos longevos, tudo sempre para lá, num futuro brumoso. E esquecemos gravemente que esse futuro poderá não existir... Cruzes. Mas é a mais santa das verdades. Só temos o aqui e agora, mas vivemos nos projetando no “lá” e no “então”, isto é, outro lugar e outro momento. É nessa condição que vemos a felicidade, sempre longe de nós... Burros. A felicidade ou está dentro de nós, aqui e agora, ou não está. Nunca estará no futuro, futuro não existe. Existe uma ideia, não mais. Dia destes, comentei aqui, senti uma linda inveja de um sujeito, um psicólogo, que se empoleirou num trailer em Santa Catarina e junto com o cachorro dele saiu para viajar pelo mundo. O mundo dele estará naquele pequeno trailer, que inveja. Será que não posso fazer o mesmo? Posso e não posso. Posso porque posso, mas não posso porque me faltam liberdade e coragem. Logo, falta-me tudo... Sim, mas em quantos outros aspectos vivemos presos, sem liberdade? Em muito mais do que queremos admitir. E não são empecilhos insuperáveis, são limites que nos impomos, são comportamentos de rebanho que nos prendem aos modos da maioria. Somos uns títeres sociais, imaginamos liberdade e nos prendemos a tolices, queremos viver séculos e esquecemos de viver bem, como disse Sêneca. E queres forca maior, leitora, que o casamento? Temos alguns direitos (e quais serão?) e uma lista enorme de obrigações. Mas muitos andam ávidos por esse cadafalso da “felicidade”. Enfim, os humanos são paradoxais pensando ser racionais. Mas que fique muito claro, não é preciso pular o muro da decência ou da lei para ser feliz ou leve, é preciso apenas liberdade e coragem. Bens de que todos dispomos, mas que “guardamos” no cofre da vida. Por medo.

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