Ando bufando nos últimos dias. E tenho pensado muito, será mesmo que vale a pena ficar ligado o dia todo e, sobretudo, abrindo os olhos e ouvidos para observar as pessoas? A leitora me pode dizer que esse “deve” ser um comportamento natural a quem escolheu o jornalismo para com ele casar. Concordo, leitora, todavia... Ficar atento o tempo todo envenena.

E não vou alongar a conversa, vou logo dizendo que conheço uma pessoa de há muito. É uma pessoa de uma delicadeza, de uma educação constrangedora para quem lhe chega perto, mas... Para ela mesma é um amuo só. Esta semana dei de cara com ela, numa esquina das nossas vidas. Conversa vai, conversa vem, minha amiga suspirou mais uma vez, nada de novidade para mim. Ela disse que não aguenta mais morar onde mora, que anda contando as horas para fechar as portas e se mandar...

Encurtando a conversa, leitora, foi mais ou menos isso o que ela me suspirou e “mais uma vez”. Claro que conversamos por um bom tempo, tentei, tanto quanto possível fazê-la ver que de nada lhe vai adiantar “sair por aí”. Essa amiga mora numa casa confortável, tem um pátio que é uma belezinha, algumas árvores, passarinhos vêm e vão, dois cachorrinhos amorosos...

Um pequeno paraíso, pelo menos para mim. – Ah, ela já foi casada, mas não dá sinais de querer voltar ao cabresto... Mas o que me fez pensar mesmo é essa ânsia em que ela e muitos vivem achando que se saírem por aí tudo vai melhorar. Não vai.

As novas “paisagens” vão refletir o que os nossos olhos da alma querem ver, e esses olhos não nos enganam, por mais que os tentemos passar para trás. Bah, fico constrangido de dizer a frase que vou dizer agora, tão velha ela é: – “Os cenários do caminho são influenciados pelo olhar do caminhante”. Não existe paisagem ou lugar bonito se os nossos olhos da autoestima, da alma, não viverem a beleza, seja onde for.

Ademais, quem é que não sabe que precisamos mudar para não morrer? Mas não é mudar de casa, de carro, de roupas, do que for, senão do modo de pensar. Fico corado de dizer essa obviedade. Mas é isso, enquanto buscarmos mudanças por fora e não por dentro, babaus, lá se vai ela, a felicidade...

VELHO

Quando tem idade e não tem juízo, é velho. Quando tem juízo, é idoso. Um “velho” ligou para uma das nossas tevês, horário do meio-dia, para reclamar que perdeu um ônibus na rodoviária por ter chegado 5 minutos após o horário marcado. Esbravejou, não aceitava a pontualidade do pessoal da rodoviária. Bobão ridículo. Deve ter passado pela vida culpando os outros por seus atrasados. E um irresponsável desses deve ainda ser avô...

ATRASOS

Tive aulas rigorosas sobre pontualidade quando fui repórter da Voz da América – emissora oficial do governo americano. E é por isso que fico tiririca quando vejo jovens chegando um minuto atrasados para o vestibular e reclamando do fechamento dos portões no horário devido. Os irresponsáveis sabiam do horário um ano antes, por que não dormiram na calçada, como dormem para os Rock in Rio da vida? Frouxos.

FALTA DIZER

Gente leviana está tentando se mandar do Brasil (muitos já o fizeram) para viver “melhor” em Portugal, por exemplo. São pessoas qualificadas num certo trabalho? Não, não são. Então, em Portugal, como em qualquer outro lugar da Europa, vão ser empregadas em funções “menores”, ganhando miséria e morando mal. Regra geral. Trouxas.