Naquela época não havia Whats App, era no lápis e no punho mesmo. Estou falando dos anos da década de 20 do século passado. E o que me traz a esta conversa, leitora, leitor, é uma carta escrita por Carlos Drummond de Andrade, nosso poeta maior, não é assim que muitos a ele se referem? Pois o poeta mineiro trocava correspondência com Mário de Andrade, e lá pelas tantas, ano de 1924, numa carta/desabafo, escreveu o seguinte, tenho cópia comigo: - “Pessoalmente, acho lastimável essa história de nascer em paisagens incultas e sob céus pouco civilizados. É que nasci em Minas Gerais quando deveria nascer (não vejo cabotinismo nessa confissão) em Paris. Acho o Brasil infecto. Perdoe o desabafo que, a vossa inteligência clara, não causará escândalo. O Brasil não tem atmosfera mental; não tem literatura; não tem arte; tem apenas uns políticos muito vagabundos e razoavelmente imbecis ou velhacos. Detesto o Brasil como um ambiente nocivo à expansão do meu espírito (...) Tenho que resignar-me a ser indígena entre os indígenas, sem ilusões. Enorme sacrifício”... E aí, que tal? Claro que os atentos leitora e leitor notaram como o poeta se referiu aos políticos brasileiros, e isso “já naquela época”, quando muitos de hoje dizem que era um bom tempo, que os homens tinham vergonha na cara e que nossos avós eram homens de verdade... Será que foram mesmo? Claro que não. De aparências e traições nossas pobres vovós morreram no engano... Imagine um poeta dos nossos atuais, de hoje, desses celebrados em Academias dizendo parecido... Os hipócritas o colocariam na fogueira dos traidores da pátria. Todavia, estariam cobertos de razão. É a velha história, a História é escrita por pessoas, quase sempre homens, e esses escrevem o que bem entendem, levam o vento para o lado dos seus interesses políticos ou de qualquer sorte... E disso resulta que muitos bandidos são consagrados como heróis e heróis são confundidos com bandidos. A única História que presta é a de hoje, vivida por nós. Então, que a escrevamos com valores, com suores, com vergonha na cara, para ficarmos na História, na nossa história pessoal, a que desaparece diante do nosso último suspiro. O mais é perda de tempo.

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