Você já ouviu essa frase, não ouviu? Claro que sim, basta que contemos uma das nossas encrencas a alguém, algum problema, algo que nos ande tirando o sono, para ouvir de um amigo, de um conhecido, de um colega essa frase “ingênua”. Quando desabafamos com alguém sobre algo que nos preocupa, ouvir que o que vivemos e nos angustia é uma bobagem pode dar em nada, mas... pode nos afundar no poço do inferno existencial. Ao suicídio, até mesmo...

Os austríacos tinham o vezo equivocado, como temos aqui entre nós, de não falar sobre suicídio, de não noticiar suicídios pela imprensa, toda essa idiotice típica dos obtusos da mente. Mas os austríacos mudaram o jogo e... obtiveram formidável vitória humana. Uma vitória sobre o, não raro, silencioso sofrimento de muitas pessoas. Aliás, a maioria dos nossos amigos ou familiares não nos conta de seus silenciosos problemas. E quando dizem alguma coisa não falta alguém para dizer que – Ah, isso é uma bobagem, fulana/o.

O que é bom saber é que os austríacos abriram a porta de suas resistências para falar abertamente sobre suicídios. E com isso,   houve uma redução de 80% nessas mortes autoprovocadas. 80% não é pouco, é uma redução magnífica. E tudo porque os austríacos puxaram a cortina do preconceito. Aqui entre nós não, aqui um sujeito se joga do 10º andar e a nossa imprensa diz que ele “caiu” da sacada, bolas, ninguém cai de sacada. Uma mentira que silencia a verdade e, aí sim, induz potenciais suicidas ao suicídio...

Voltando à questão inicial. Quando alguém nos falar de um problema, não é educado nem humano dizer que é uma bobagem. O que nos incomoda nos incomoda. Pode ser bobagem para os outros. É como o estresse, o que me estressa pode fazê-la, fazê-lo rir. E assim em sentido contrário, o que o/a estressa me pode fazer rir... É a percepção de vida de cada um. Ouvir alguém em angústia, estresse, desânimo, desapontamentos, sofrimentos de qualquer tipo, mesmo que aparentemente seja uma bobagem, não esqueçamos que é uma bobagem para nós.

Ouvir, compreender e apontar bons caminhos, soluções, saídas da angústia, é humano e indispensável quando ouvimos um desabafo angustiado de alguém.

Os austríacos escancararam a porta para falar sobre suicídios e hoje colhem os frutos: 80% menos de pessoas caindo “acidentalmente” das sacadas. Bela sacada.

Cuidado

Falei de suicídios e é preciso abrir os olhos, especialmente quem tem filhos adolescentes. O suicídio entre jovens está em alta. Em todos os países. E há também um tipo de “preliminar” para muitos suicídios, são as mutilações, visíveis ou não. Jovens que se cortam, se ferem com marcas sangrentas pelo corpo, tanto para participar de grupos quanto para infligirem-se castigos por razões diversas. Cuidado, pais. Olhos atentos em qualquer mudança de comportamento. Muito cuidado.

Tontos

Há uma pequena história que conta de um sujeito que era muito pobre e que só comia bananas. Vivia revoltado com isso. Até que um dia olhou para trás e viu alguém que vivia só de comer das cascas das bananas que ele jogava fora. Somos todos assim na vida. Nossos problemas, bem avaliados, são probleminhas perto de problemas alheios. Mas é humano olhar apenas para o próprio umbigo. Burros. Muitos são felizes e não sabem...

Falta dizer

Se você tiver um ombro amigo para sobre ele debruçar as suas angústias e “segredos” você é muito rica/o. A coisa mais difícil deste mundo é ter um ombro amigo. O ombro amigo nos alivia as dores do ânimo, nos socorre no desespero, nos dá, enfim, vida. Quem tiver um, celebre.