Foto Divulgação
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Encontrei um cidadão na rua, paramos para conversar, ele é filho de um ex-colega meu de Porto Alegre, gente fina. Fina nos modos, nas gentilizas, gente boa mesmo.

Trocadas as primeiras saudações, perguntei pelo pai dele, meu amigo de muitos anos que não vejo em razão de ele estar em Porto Alegre e eu por aqui... Fiquei sabendo que o pai está feliz, mas eu não fiquei feliz.

- “Ué, Prates, que conversa é essa, tu ficas sabendo que um amigo teu está feliz e tu ficas infeliz, que conversa é essa”? Sim, parece isso, mas vou explicar.

Perguntei pelo pai do cidadão que encontrei, ainda um rapaz, 41 anos, e ele me disse que o pai está vivendo numa casa de repouso... Casa de repouso? Casa de repouso ou última morada? Mas isso para mim tem outro nome: asilo.

Perguntei se o meu amigo de Porto Alegre estava numa situação financeira difícil, doente, com problemas mesmo... E o que ouvi me surpreendeu. Surpreendeu-me até certo ponto.

O filho do meu amigo contou que foi o pai quem decidiu ir morar numa casa de repouso, que para mim, insisto, é asilo.

O meu ex-colega teria decidido ir viver nessa casa especial para ter menos problemas, não precisar se preocupar com isso ou com aquilo e, se afinal, tinha um dinheiro na reserva, por que não viver de certo modo cuidado pelos outros? Negativo, não aceito.

Meu ex-colega tem idade suficiente para estar num trabalho, num grupo qualquer fazendo alguma coisa e a fazendo bem-feita. E por que não está? Aqui faço uma inferência minha: ele chegou à aposentadoria, não deve ter (não sei) vínculos familiares mais amplos ou, mais que tudo, desligou o motor da motivação existencial.

E era aqui que eu queria chegar. Supondo que você chegue à aposentadoria, tenha algum dinheirinho no banco, casa própria, filhos crescidos, missão cumprida? Missão cumprida um relho no lombo. E falo como amigo.

Quem se desliga da vida para morar numa casa de repouso desistiu de tudo, salvo, repito, se houver uma incapacidade psicofísica a impedir que a pessoa ande para lá e para cá em suas lutas diárias, lutas que devem ir até o último suspiro sobre esta terra.

Certas opções que fazemos na vida revelam vida vazia, solidão, desprezo familiar ou desmotivação, inexistência final de uma causa por que lutar. E aí, é uma opção pela morte.

Olhos

Seus olhos são seus melhores amigos quando a questão é leitura e memória; claro, quando os olhos olham cupidamente para o que está sendo lido.

Ouça esta, de psicólogos americanos: - “Pesquisas com cérebros de leitores, de leitura impressa em papel e em computadores, garantem que quem lê em papel de maneira geral se lembra melhor do que leu...”.

Cumprimentos, você está na lista dos melhores cérebros...

Memória

Jornal Estado de S. Paulo, edição de quarta-feira, 1º de junho, 2015, coluna de Lúcia Guimarães, reprodução de um trecho de entrevista do Lula ao Flávio Rangel, programa Canal Livre, em l981, tenho-o comigo.

Dizia Lula – “Sou muito preguiçoso. Até para ler sou muito preguiçoso. Isso é questão de hábito. Eu não gosto de ler”. Não precisou dizer mais nem melhor.

Falta dizer

Conselho de amigo: não confie em nenhum governo, nenhum. Nenhum governo lhe vai dar o de que você eventualmente venha a precisar.

Cuide de fazer poupança, qualificar-se continuadamente no trabalho, cuide de sua decência moral, faça amigos, vigie a saúde e dê uma figa para os governos de uma figa...

 

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