Era uma reportagem de página inteira, daquelas reportagens de fazer pensar sobre os sentidos da vida. O diacho é que a maioria das pessoas não pensa sobre possibilidades sombrias que a vida lhes reserva ou pode reservar, seja a quem for, tenham as pessoas os recursos que tiverem. E aqui já estou falando sobre dinheiro. O dinheiro vai até ali... depois desse ali ele se anula, não serve para mais nada. A tal reportagem dizia em manchete que é cada vez maior o número de pessoas idosas que vão morar em asilos ou residenciais. Segundo a reportagem, muitos desses idosos, homens e mulheres, decidem por si mesmos ir morar nessas instituições. E por quê? Várias razões. A primeira delas é que as famílias de hoje não são mais tão numerosas quanto às antigas, há menos filhos e parentes por perto para cuidar dos pais, dos avós, dos mais velhos, enfim. Outra questão é que os filhos homens quando ajudam os pais idosos costumam ajudar com dinheiro, não os querem por perto, na mesma casa. E um das razões, nos casos de filhos homens e casados, é que as mulheres, as noras, não querem saber dos sogros por perto. Já as filhas mulheres, que têm mais força sobre os maridos que os maridos sobre elas, são um pouco mais dispostas a ajudar os pais, o que não quer dizer que ajudem sempre... Que horror para esses idosos. E que ninguém me venha dizer que os pais, os avós, os velhos, enfim, não gostariam de morar junto ou muito perto dos seus filhos, que não me venham com essa lorota. Os últimos anos de vida são de muitas tensões, reflexões sobre a finitude, encrencas existenciais sérias, um túnel... Ter alguém por perto com quem trocar amor, dividir o mesmo sangue, ah, que benção, que velhice mais tranquila e feliz. E terrível é saber que muitos idosos até nem são tão pobres assim, têm dinheiro, pouparam, guardaram, mas fica-lhes difícil se auto-determinarem, cuidarem de si mesmos com a devida adequação; a partir daí, o dinheiro não ajuda muito... É muito triste filhos que podem, não ajudarem os pais, acharem que eles vão se sentir melhor num asilo ou num residencial, que trastes de filhos. A velhice é mesmo um caso sério que a vida nos conta sem rir... Mas é benção e felicidade com filhos amorosos.

LEIA A COLUNA COMPLETA NA VERSÃO DIGITAL DO JORNAL O CORREIO DO POVO