Antes da nossa conversa de hoje, preciso dar umas voltas, você já sabe. Preciso dizer, por exemplo, que há quem diga que tem fé, você vai ver e o sujeito tem uma fé labial, que não passa dos lábios. Fé é certeza, quem tem fé tem certeza, é para poucos. Se pudéssemos ler a alma das pessoas que lotam as igrejas viveríamos uma grave e irrecuperável decepção... As pessoas não têm fé, dizem que têm, só isso. Estou dando estas voltas porque acabei de ouvir uma das músicas mais lindas do cancioneiro popular brasileiro, uma música de Carnaval, do tempo em que o Carnaval era uma festa limpa, com elevadas inspirações de nossos poetas de rua... Uma dessas músicas, uma das minhas favoritas, é A Estrela D’alva, cantada pela eterna Dalva de Oliveira. A letra dessa música diz mais ou menos assim, se você não a conhece, preste atenção: “Um pequenino grão de areia/olhando o céu viu uma estrela/ imaginou coisas de amor. Passaram anos/ muitos anos/ ela no céu, ele no mar/ Dizem que nunca o pobrezinho pode com ela encontrar/ Se houve ou se não houve alguma coisa entre eles dois/ ninguém soube até hoje explicar/ O que há de certo é que depois/ muito depois/ apareceu uma estrela no mar”... Mais ou menos isso. Poesia pura – um grãozinho de areia se apaixonando por uma estrela. Ele pequeninho, aqui embaixo, ela, grandiosa, lá em cima... Essa poesia se confunde com fé, um grande sonho é um ato de fé, e só os que sonham grande, que sonham com o “impossível” chegam aos milagres do possível. Foi o que fez o grãozinho de areia, nos passando uma lição de fé. E também nos fazendo lembrar, mais uma vez, do Evangelho de Marcos 9:23 – “Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê”... E aí, leitor, quem é a tua “estrelinha” que – por ora – está fora de possibilidades, tão longe ela está, hein? E aqui já estou falando não na “estrelinha” do amor propriamente dito, mas na nossa Estrela D’alva na vida, um sonho, um projeto, uma aspiração negada por muitos como loucura... Loucura é não sonhar, é não ter uma “estrelinha” para com ela sonhar. Mas essa da Estrela do Mar ter vindo juntar-se ao grãozinho de areia é poesia linda e a nos motivar. Agora, toda vez que vejo uma estrela do mar, pisco-lhe o olho: Tu, hein! Ela Ela é bonita, mas... tem um cabelão. Apresenta um telejornal todas às noites. Dia destes ela apareceu com o cabelo preso, bem puxado para trás... Santo Deus, estava uma deusa. Por que as mulheres usam cabelões? Elas não ficam bonitas com cabelões. Ou é para contentar machinhos impotentes? Falta dizer Não tente repetir o dia de ontem, se ele foi bom. Nenhum dia se repete como o que já foi... Ademais, nem na memória o que foi bom é lembrado exatamente como o foi, de dia para dia, nossas lembranças se deterioram, se alteram e com isso nos enganamos. É daqui para a frente.