Muito da nossa vida depende da nossa cabeça, há, inclusive, quem acredita que tudo o que nos acontece vem da cabeça, do modo habitual de pensar. Do ponto de vista dos pensamentos, e esse ponto de vista é a matriz da nossa conduta, ninguém escapa... Nós somos sim o resultado do modo como pensamos, esse modo vem da infância, do que nos foi ensinado, vem também, é claro, dos valores sociais. Há sociedades onde a morte não é chorada, é celebrada, morte para certos povos é uma libertação, uma passagem para um outro “campo”... Cada pessoa e cada sociedade dependem de sua cultura, e cultura é tudo o que o ser humano faz conjuntamente e como regra ou rito. Mas o que quero mesmo dizer é que não há efeito sem causa. Muito do nosso sofrimento na vida, das doenças que abatem as pessoas, muito, muitíssimo, vem da dor. E por dor podemos entender o “mero” estresse. O estresse, na verdade, e de modo quase imperceptível, disfarçado, mata mais que todos os outros modos juntos... Dia destes, até falei disso nos meus comentários de rádio, uma senhora em Porto Alegre faleceu de um infarto que não estava “previsto” na ficha médica dela... O que aconteceu? Tudo. O filho dessa senhora era soldado da Brigada Militar – a PM – gaúcha. Ele estava numa viatura da BM em perseguição a bandidos que fugiam em um carro roubado. Houve troca de tiros e o soldado, o filho da citada senhora, morreu. Isso aconteceu num dia deste mês de julho, seis dias depois a senhora morreu de infarto. Que coincidência, não é mesmo? Nenhuma coincidência. A senhora, a mãe do soldado morto, morreu de dor, de sofrimento, de uma dor de mãe, de um sofrimento que ela viu sem fim. E morreu. Ela “deu” ordens ao seu coração para parar de viver, não havia mais razão para essa mãe. Dito assim, muitos podem estranhar. Não há nada de novo nessa historia, todos nós somos assim, o que pode diferenciar uma pessoa de outra é o modo de sofrer. Mas o sofrer é de todos nós. Nosso corpo reflete nossos pensamentos, nossos valores, nosso modo de viver. A mãe do soldado não suportou a vida sem o filho, “decidiu”, pelo sofrimento, juntar-se a ele. É mãe. E as leituras de coração de mãe só Deus entende. Só. DADOS Tenho no meu arquivo de assuntos “temáticos” questões que envolvem o ser humano em quase tudo, dentre seus principais valores na vida. Faço uso desse arquivo de acordo com as necessidades nas palestras. Tenho, por exemplo, várias histórias envolvendo pessoas muito conhecidas que morreram quando “decidiram” morrer. Pessoas até então inteiras, sãs. E de onde lhes veio essa decisão de morrer? Veio de um pessoalíssimo desencanto diante da vida. Sim, temos dentro de nós o poder de enfermar o corpo físico à morte, como também temos o supremo pode de curá-lo pela fé e pela vontade. O bem e o mal, a vida e a morte estão dentro do ser humano.