Ele diz que sim, que vai mudar. Aliás, diz que já mudou. Hummm, será? Não lhe vou dizer o nome, mas é um jornalista brasileiro muito conhecido na mídia nacional, muito. Está agora fora
“dos palcos”.

De uma feita, fiz uma pequena viagem com ele, íamos fazer palestras numa cidade catarinense. O modo como me cumprimentou ao chegar ao carro e o desdém com que perguntou pela cidade
para aonde íamos me ficaram inesquecíveis. Posturas reveladoras...

Agora o reencontrei numa entrevista contando de seu “desaparecimento” da mídia e de uma doença gravíssima que o fez tremer e, segundo ele, enfaticamente, mudar de vida. Mudar o jeito de ser, de
perceber, de ver e de reagir na vida.

Reconhece que errou muito, que avaliou mal muitas das belezas da vida, que perdeu tempo, que viveu, enfim, grosseiramente errado.

A doença, que chegou à contagem regressiva, o fez ver e mudar o jeito de ser. Será? Será mesmo que vai mudar?

Vim até aqui para “relembrar” pesquisas internacionais sobre pessoas “condenadas” em leitos hospitalares. Psicólogos americanos garantiram que as pessoas só mudam quando estão na UTI e “conscientes”.

Nesse momento mudam, juram que vão mudar o modo de ser e viver, mas... Desconfiados, os pesquisadores se dispuseram a acompanhar esses doentes quando, milagrosamente, se curavam.

Questão de um mês após a alta hospitalar, os pacientes que juraram mudar voltavam a ser o que eram antes da doença. Isso que tiveram corda no pescoço, o padre lhes dera a extrema-unção...

Vim até aqui para dizer que após o “período de molde”, que vai do nascimento aos cinco anos, se tanto, ninguém vai mudar comportamentos. Não os valores fundamentais. A criança, passiva nesse
período, não se tem como defender, ela assimila todos os valores que os mais velhos que a cercam lhe passam, inadvertidamente, mais das vezes.

Depois desse “período de molde” vamos para a “compulsão à repetição”, que é a repetição
desses primeiros aprendizados até o nosso último suspiro.

É possível mudar? Possível é, mas é... Impossível, por princípio. Todavia, fique grifado, é
possível sim, mas a “doença” a provocar a possível mudança tem que chegar com a “foice” na mão, aquela foice, a da bruxa...

Vou esperar pela volta do comunicador. Saudável e combativo, com os olhos nas estrelas e não mais no sol... Curado.

 

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