Ela, a magnífica

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

quarta-feira, 04:00 - 02/03/2016

Luiz Carlos Prates
Na estrada da vida ou você anda para a frente, sempre, o tempo inteiro, ou para e começa a morrer. E há, você sabe, vários modos de morrer... E quando é que alguém “para” e daí começa a definhar, a morrer? Quando se dá por vencido, quando não tem entusiasmo para algo especial, quando, enfim, não mais vê uma causa por que lutar. Acabei de ler uma entrevista da magnífica Bibi Ferreira numa dessas revistas de bordo. A Bibi tem lá seus 94 anos ou mais. Bibi canta, faz teatro, ensaia como uma louca para não desafinar ou mal interpretar um texto, Bibi viaja, Bibi é um belo exemplo de um espírito indômito, exemplar mesmo para todos nós... Para todos nós, vírgula, para os dengosos, isso sim, que aos 60, 70 anos começam a tossir como criancinhas e a caminhar arrastando os pés por “velhice”. Não estou falando dos doentes, estou falando dos parvos que querem filas especiais só porque estão nos 60 ou 70 anos, dengosos sem fibra, isso sim. Voltando a Bibi e o que me trouxe a esta conversa, Bibi, nessa entrevista de que falei, disse que lê todos os dias em inglês para manter afiado o idioma. E você sabe que a “segunda língua” da Bibi Ferreira é o francês, ela é melhor que as francesas falando francês. Não é um exemplo? Se a língua preferencial dela depois do português é o francês, por que exercitar-se em inglês? Porque Bibi é uma obstinada, porque sabe que se parar de treinar o idioma, como de resto tudo na vida, ela vai começar a andar para trás, e quem andou até hoje para a frente não tolera essa acomodação. Bibi é sinônimo de “entusiasmo” e entusiasmo para ela é a palavra mais importante da vida. Grande Bibi, que exemplo para essas caturras que andam por aí arrastando os chinelos sujos e dando-se por velhas, velhos... Velha, velho é a falta de vergonha na cara e de um propósito na vida. Sim, mas precisas ser tão duro, Prates, ao falar de um assunto que bem pode ser tratado com boas palavras e educação? Se o fizer, leitora, muitas vão correr os olhos por estas linhas, ouvir estas palavras e continuar arrastando os chinelos do abandono da vida. Muitas vezes uma “chinelada” acorda. E isso é bom, estar acordado é estar vivo.

LEIA A COLUNA COMPLETA NA VERSÃO DIGITAL DO JORNAL O CORREIO DO POVO

×