A história a seguir tem alguns anos. Aconteceu num posto de saúde de um bairro pobre, em Porto Alegre. Uma senhora humilde, pouca instrução, foi ao posto procurar por um médico e apresentar a eles suas queixas, eram muitas. Dores pelo corpo todo... O médico que recebeu a tal senhora era um médico humanista, tipo raro na medicina que anda por aí. A senhora sentou-se à frente do médico, contou a ele de suas muitas dores e o médico de imediato passou a fazer perguntas à senhora, o que nesses momentos se chama de anamnese. É uma série de perguntas que os bons médicos fazem para saber de questões que envolvem seus pacientes no dia a dia. Essa entrevista é indispensável para um bom diagnóstico. Depois de uma abrangente conversa, o médico deu alguns conselhos práticos sobre a vida da senhora, o que ela devia fazer e, mais que tudo, deixar de fazer. E não lhe receitou nenhum remédio, apenas instruiu a senhora a uma vida mais calma, descansada e saudável. A paciente, a idosa de nenhuma instrução e menos ainda compreensão dos artifícios da psicologia, levantou-se da cadeira e saiu furiosa do consultório, batendo a porta. Fiquei sabendo da história pelo próprio médico. Essas histórias são muito comuns e decepcionantes para os bons médicos, é que pacientes toscos só acreditam em remédios e radiografias. Ai do médico que não receite algum medicamento e não peça “chapas” aos toscos... Vim até aqui, leitora/o, para dizer que entendi e dei toda razão ao nosso Ministro da Saúde, Ricardo Barros, que dia destes disse numa entrevista que – “Os pacientes do SUS imaginam doenças”. Claro que não são todos que imaginam doenças, mas é a grande maioria, isso sim. Mas como dizer isso a pessoas que não entendem nada de psicologia, de processos inconscientes da mente, de sentimentos de culpa, de sentimentos de menos valia, isso e mais aquilo, como? Nós somos o nosso inconsciente, criamos enfermidades punitivas contra nós mesmos, criamos desavenças afetivas com a mulher, com o marido, com os filhos, com os amigos, com nós mesmos... E fazemos isso o tempo todo. Todos, sem exceção, somos assim. O diacho é dizer a uma pessoa gravemente enferma que ela “desejou” essa enfermidade... E dizer isso a uma pessoa de mente estreita mais ainda... Ou você acha que os milagres religiosos vêm das orações ou dos santos protetores? Nada. Tudo vem dos poderes da mente, ainda que precisemos das bengalas da fé em algo externo. Somos todo-poderosos... Música Acabei de ler uma entrevista com um músico da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre. O rapaz, segurando um violino, disse que – “È preciso investir em educação musical”. Será que o pessoal do Criança Esperança ouviu isso, ou vai continuar ensinando nossas crianças a botar o pé na cara dos outros e a bater tambores? Falta dizer Abra o olho, cuidado para que seu cérebro não fique grisalho antes dos seus cabelos, isso é muito comum. Sonhar com a aposentadoria é “agrisalhar” o cérebro antes dos cabelos, por exemplo...