Dia da Revolução

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

terça-feira, 06:00 - 08/03/2016

Luiz Carlos Prates

Dia destes numa cena de novela na Globo, mulheres conversavam e tomavam chá. Uma delas grávida. Lá pelas tantas, a grávida levou a mão para pegar um doce e teve a mão segurada por uma amiga: “Não, não come doce, come salgado, doce faz nascer filha mulher”... Brincadeira? Superstição?

Pode ser o que for, mas é a tal coisa, brincando, brincando o diabo empurrou a mãe escada abaixo... Quem não sabe que mulher grávida de primeira vez deseja, estatisticamente comprovado, filho homem? Depois, e se for o caso, que venha uma menina. Primeiro elas querem um menino, e Freud explicava bem direitinho sobre isso... Elas querem filho homem para contentar o marido que, se pudesse, exigiria sim um filho guri. Há exceções? Claro que há, mas são exceções.

Quantas meninas ganham o nome da mãe da mãe delas, isto é, da avó materna? Quantas você conhece, leitora? Eu não conheço nenhuma. E quantos guris, coitados, sem culpa, sem defesa, ganharam o nome do pai? Por que a diferença? Machismo, cultura machista, e tudo por culpa e fraqueza das mulheres que desejam contentar e “prender” seus maridos, amantes, o que for... Invento? Você sabe que não.

Quantos direitos “a mais” os guris têm em casa e fora dela em relação às meninas por vontade e decisão dos pais? Desmentir essa verdade da cultura milenar machista, muito disso assentado sobre os ditames de religiões misóginas, é perda de tempo. Só vai mudar se houver a “revolução cultural” que prego desde que nasci, essa revolução dos usos e costumes, da educação, tem que ser iniciada e dirigida pelas mulheres. Mudou muito pouco desde Adão e Eva, o mito humorístico da condição da mulher, afinal, “eles” inventaram que foi Eva, a mulher, quem caiu em tentação... Misóginos!

Inventaram uma história, jogaram-na às costas de um deus e esfregaram as mãos esperando milenarmente pelos resultados. É hora de mulheres líderes gritarem por independência ou morte. Espero que neste Dia da Mulher elas apareçam na televisão ou nas esquinas para brigar por direitos iguais. Não há, até agora, direitos iguais, não há. E tudo começa dentro de casa com a educação dos filhos; pais e mães têm jogado, na regra, o jogo do machismo. Pobres meninas. Ah, e segundo a novela, leitora, cuidado, comer doce gera filhas mulheres! Que horror a ignorância!

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