Vou contar uma história, mas antes preciso dizer algo sobre o título desta conversa. Usei de uma palavra em que não creio, não creio em destino. Se acreditasse, teria que acreditar num “deus” maligno, num ser demoníaco, afinal, destinos seriam criados por esse “deus”... E o que vemos são pessoas com “destinos” diferentes, umas vivendo nos esplêndidos da vida e outras nos charcos de todas as carências. Por que razão “destinos” diferentes para quem não pôde se defender? Não creio em destino, creio em educação, caráter, circunstâncias, inteligência... Acabei de ler uma história, interessante, exemplar, uma história de ficar pensando. O nome do personagem é Carlinhos. Ele tem 72 anos. Vive, desde os cinco anos em casas de assistência social, primeiro na Casa da Infância Menino Jesus e agora, há muitos anos, no Educandário Dom Duarte. Carlinhos só sabe da vida dele morando nessas duas casas. Carlinhos nasceu uma criança pobre e muito doente, até os cinco anos vivia, pela mão da mãe, vivia de um hospital para outro. Até que um dia, aos cinco anos, foi “abandonado” pela mãe na Casa de Infância Menino Jesus. Nessa casa ficou até os 12 anos, quando então foi levado para o Educandário Dom Duarte. Nunca saiu dos muros dessas duas casas. Carlinhos, aos 72 anos, lembra-se da mãe como mulher boa, amorosa, um encanto, tem muitas saudades dela mas nunca mais soube da mãe. Carlinhos é extremamente tímido, aprendeu a ler já quase adulto, especializou-se em carpintaria, trabalhou – dentro da instituição que o acolhe, primeiro como dependente, depois como funcionário, e hoje dependente outra vez... até que se aposentou. Todos os que o conhecem dizem que é uma beleza de pessoa, quase um santo... Então, vamos lá. Carlinhos tinha tudo, e justificadamente, para ser um bandido, um ladrão, um homicida, um estuprador, um insano do crime, mas... Mas nunca foi nada disso, pelo contrário, sempre foi quase um “santo”. Como é que pode? Aí é que está, leitora, quem nasce para o bem, nasce para o bem, quem nasce para não prestar, não vai prestar. Vivo dizendo, um guri de três anos vê um gato e chuta o gato; outro guri, também de três anos, vê um gato e passa a mão na cabeça do gato. Assim é o ser humano, nasce para prestar ou para não prestar. E nessa questão não funciona nada do que costumamos apreciar como distinção social. A educação ajuda a formar o caráter, ajuda, mas é o “destino” que vai encaminhar a pessoa para o bem ou para o mal. O destino das entranhas, o grande mistério. Queria te dar um abraço, Carlinhos. Honra Num passado não muito remoto, a desonra levava os homens ao suicídio, lhes seria insuportável conviver em sociedade sabendo-se desonrados. Hoje, os desonrados negam suas desonras ou, silenciosamente, dizem que – “Ah, todo mundo faz por igual, por que logo eu vou pagar por alguma coisa”... São os canalhas às centenas até entre os que batiam panelas, não é mesmo Lava Jato? Falta dizer A manchete diz – “Inquéritos no STF abalam planos de candidatos às eleições de 2018”. Queres apostar, leitor, como a maioria dos canalhas do “dinheiro do povo no bolso” se vão reeleger? Tanto aqui no Estado quanto nos outros.