Levante o dedo por aí quem não tenha uma única “dependência”, seja do tipo que for! Ora, não nasceu até hoje quem não viva debaixo da sombra de suas dependências. Todos temos inúmeras dependências, o diacho é que essas dependências são-nos nefastas. Quando temos uma dependência e sem ela não podemos viver, não se trata de dependência, se trata de instinto, impossível evitar os instintos. Quem tem controle sobre si mesmo tem controle sobre o mundo. Controlar-se é não ceder aos empurrões da vontade para comer além do devido, beber o que não nos faz bem, fazer, sobretudo, o que nos vai criar problemas. Não conheço vivente humano que não tenha suas dependências. Quando, todavia, temos consciência dessas nossas dependências, fraquezas, ficamos mais fortes para resistir a elas ou, no mínimo, discipliná-las. Talvez o exemplo não seja o mais adequado mas vou usá-lo. Acabei de ler sobre uma nova “dependência” que está crescendo entre os paulistanos: o de trocar o ônibus por táxis baratos, tipo Uber. A reportagem dizia que são inúmeras as pessoas endividadas em razão do excessivo e desnecessário uso dos táxis. A sociedade de hoje criou, artificialmente, necessidades, dependências que são perfeitamente dispensáveis, mas vá dizer isso aos que vivem dizendo que o importante é ser feliz. Tenho diante de mim manchete do site UOL/Folha – “Índice mundial de depressão aumenta e mulheres sofrem mais”. Por que mulheres sofrem mais? Ora, porque foram educadas para “esperar”, esperar pelos pais, pelo marido, pelo chefe, pelos homens de modo geral... Depressão não é doença, cansei de dizer isso. Depressão é um encolhimento existencial por várias razões e nenhuma “objetiva”, porque quando temos algo objetivo a nos incomodar temos duas saídas: enfrentar o problema ou nos darmos por vencidos. É o que mais acontece, mas, pior de tudo, não raro, o depressivo não sabe exatamente o que o está deprimindo. E que fique claro, tristeza não é depressão, tristeza tem prazo de validade e sabemos de onde ela vem. As depressões são um afundamento do nosso horizonte, um peso no peito, um desconsolo sem uma razão objetiva, situação chata, desagradável. Não há pirulito da vida que faça um depressivo sorrir. Mas muito desses nossos achaques vêm de nossas dependências a valores sociais, valores na aparência, valor mesmo só a vida... Estamos amarrados aos conceitos sociais, às nossas dependências e, sobretudo, à nossa falta de coragem para mandar tudo longe... Dentro da lei. Tudo longe. Casais Um shopping do interior de São Paulo, conheço muitos, magníficos, criou por estes dias o “Maridódromo”, um espaço para os bermudões esperarem por suas “patroas” enquanto elas fazem compras. Tudo bem, boa ideia, só que os divertimentos colocados para os caras são de doer: videogames, jogo de sinuca, pebolim, TV, cadeiras de massagem e... nada de jornais e livros. Bah, com os “bermudões”! Falta dizer Imagino o efeito cascata que vai ser quando alguém começar a denunciar as orgias sexuais no Congresso Nacional, nas cozinhas, atrás das portas, sobre as mesas, tudo gente casada, pessoas “honestas”, muitas se achando “autoridades”. Vai sobrar pouquíssima gente. Gente?