Devíamos, vez por todas, pôr na cabeça que somos uns pobres diabos existenciais no Universo. Pensamos que sabemos alguma coisa, pensamos. Já foi dito por muitos que tudo o que vivemos, no aqui e agora de nossas descobertas, ciências, tecnologias, tudo, não passa de uma imaginação perdida nos espaços do tempo infinito. Um surto insano. Mas vivemos pensando que somos racionais e, pior, que existimos. Tudo pode bem que não passar de uma formidável alucinação cósmica, não estamos aqui nem em lugar nenhum... Enlouqueci? Não. Li alguma coisa, há pouco, do escritor e poeta americano William Burroughs – (1914-1997) – e com ele concordei da cabeça aos sapatos, afinal, já não disseram que sempre concordamos com quem pensa igual a nós? Burroughs um dia disse que – “Na magia do Universo não existem coincidências e não existem acidentes. Nada acontece senão por consequência da vontade de alguém”. Mais ou menos isso... Dito de outro modo, somos os criadores do nosso destino. Claro que essa afirmação nos incendeia, não a aceitamos, seria aceitar responsabilidades por infortúnios, nossos e dos nossos filhos que, afinal, foram “pensados” por nós. Não aceitamos e pronto. Pois é, mas é fácil dizer que não aceitamos, o difícil é não aceitar “por dentro”, naquela convicção dos iluminados da fé. Duvidamos, esse é o nosso problema básico na vida, todos duvidamos, nossos credos são meras defesas psicológicas de que nos valemos para não afundar nas aparentes certezas dos nadas que nos esperam... Agora, uma coisa é certa: há determinadas coincidências que ninguém explica, ninguém. E dizer que foi “apenas” coincidência é admitir o efeito sem causa, o que simplesmente acontece por acontecer... Isso não existe. Quanto a não haver “acidentes” senão pela vontade prévia de alguém, ah, isso já parece bem mais razoável, ainda que de sã consciência ninguém queira ficar numa curva... Mas que existe no ser humano o catastrófico Tanatos em permanente oposição a Eros parece fora de dúvida. Tanatos é o nosso deus interno da destruição e Eros o da elevação. Um dos dois está sempre no comando. Tudo bem, se não há coincidências e não há acidentes, como podemos nos defender? Tudo vai – ou iria - depender da cabeça da pessoa, do seu inconsciente. E o nosso inconsciente nada tem de bom, só há crimes e pecados dentro dele... A conversa iria longe, mas o garçom da nossa paciência manda dizer que é hora de fechar o bar... Outra Outra que vi no mesmo shopping de Porto Alegre onde vi “pais” pulando em cama elástica junto com os filhos foi ... a cena de uma garota, uma criança. Ela tinha o ar, o aspecto, de ter uns 11 anos, não mais. Vestida como mulher. E agarrada constrangedoramente num pivete bobão. Saí pensando, não deve ter pai nem mãe. Claro que ela tem pai e mãe. Desses pais fétidos, omissos de hoje.