Muitas vezes, parodiando Monteiro Lobato, vivemos chorando misérias sem nos dar conta de que estamos sentados sobre um pote de ouro. Lobato falava dos brasileiros que se queixavam da pobreza num país riquíssimo, o que era e é um paradoxo. Mas não é disso que quero falar, dos brasileiros comuns. Quero falar de um modo geral de todos nós. Ocorre que não raro as pessoas vivem se queixando de males que não passam de irrealidades de suas mentes ou de fraquezas do ânimo que as impede de se dar conta das riquezas de que dispõem. E essa ignorância, convenhamos, é refinada estupidez. Costumo dizer em muitas das minhas palestras que a felicidade depende só de nós, do modo como pensamos. Mas para os que querem justificar a felicidade como algo a vir de fora de si mesmos, também costumo dizer que a saúde, a família, o trabalho, os amigos e a liberdade fazem os ingredientes básicos para a felicidade de qualquer pessoa. E muito menos, em muitos casos. Digo o que digo ao ver na imprensa, nos sites, um ator famoso, costumeiramente cabeludo, agora sem cabelos, todos os fios caídos pelo tratamento por que ele está a passar. Foi diagnosticado há pouco com um tipo especial de doença, que se não for bem tratada lhe poderá ser fatal. Aí é de ficar pensando: um sujeito relativamente jovem, bom dinheiro no banco, afinal, é ator bem pago, famoso, cercado de gente igualmente famosa, muitos amigos, isso e mais aquilo e... doente. Outros nada famosos, sem dinheiro no bolso, desconhecidos do grande público, gente, enfim, de vida difícil mas... Saudáveis. E isso me incomoda na condição humana da maioria: pessoas que não valorizam a mais abençoada das riquezas: a saúde. E depois da saúde a família, os amigos, o trabalho, e a liberdade, riquezas de que costumamos não nos dar conta até que algo significativo nos venha a faltar... De que vale ser famoso, rico, conhecer gente importante, isso e mais aquilo e não ter saúde? Vale o mesmo para o reconhecimento da importância da família, do trabalho, dos amigos... dessas coisas “menores” para muitos. Ser feliz e não saber disso é como dizia Monteiro Lobato: estar sentado sobre um pote de ouro chorando misérias. Miséria é não se dar a pessoa conta dos bens magníficos de que pode gozar e disso não se dar conta por falta de consciência e sensibilidade. Tens saúde, família, trabalho, amigos e liberdade? Tens tudo, o resto é secundário. Celebre sua vida feliz! Impossível Janete Khan, ex-secretária de transportes de Nova Iorque, urbanista, defende no Brasil transporte coletivo mais rápido, atraente e confortável para a população. Também acho, só que esse tipo de transporte pede por população educada, asseada, de bons modos... E onde achar essas pessoas ao meio da maioria mal-educada que anda por aí? Cuida de Nova Iorque, Janete. Por aqui vai ser difícil mudar! Falta dizer Acabei de ver jogadores da Seleção Francesa descendo de um ônibus. Todos de terno e gravata, ninguém com fones nos ouvidos e boné virado. Já os brasileiros mostram-se uns marginais na aparência, com fones do tamanho de penicos nos ouvidos e bonés tortos.... O comportamento se reflete no gramado...