Todos os dias, aqui, ali ou acolá ouvimos os mesmos conselhos: modera no açúcar, te movimenta mais, acaba com esse sedentarismo, não te estressa tanto no trabalho... Todos os dias a mesma cantilena. Digamos que os conselhos são bons, fazem bem, mas... Não é só isso.

O sujeito pode ser um “touro premiado” – na aparência física – mas ter uma cabeça tonta. Aliás, é o que mais anda por aí, fortões e bonitonas só na aparência, por dentro frágeis como borboletas sem asas...

Onde quero chegar? À essência da vida: à nutrição da cabeça, da mente. Nos mandam sair do sedentarismo, movimentar o corpo, sim, ótimo, indispensável, mas... Se a cabeça for pequena, poucos conteúdos, mingada para pensar bem, compreender melhor e agir para uma vida saudável, nada feito. Infelizmente, o que mais anda por aí são corpos aparentemente bonitos, mas apenas segurando cabeças que não valem a pena.

E o que nos dá energia, entusiasmo, vigor existencial é uma cabeça bem nutrida e “exercitada”. Só mexer o corpo, não sair da academia, viver se olhando nos espelhos dos nadas, pouco adianta. A cabeça tem que sair do sedentarismo das ideias apoucadas, escassas, pobres e sem graça. Os romanos antigos já enfatizavam isso ao tempo dos gladiadores: mente sã em corpo são. Se não houver esse casamento, babaus, o sujeito vai viver tropeçando na vida, cometendo erros e gemendo das piores dores: as da cabeça vazia.

Se todos esses que andam por aí movimentando o corpo numa sanha furiosa movimentassem também a cabeça, a vida lhes seria muito melhor e, aí sim, teriam vida saudável e longa. Mas não, cuidam de combater o sedentarismo “do corpo” e deixam a cabeça no cativeiro da preguiça, sem conteúdos que valham a pena. E já disse aqui miríades de vezes que o que preserva os melhores relacionamentos humanos, afetivos e de amizade, é o conteúdo das conversas. E o conteúdo das conversas depende da nutrição e da “exercitação” diária da cabeça, da mente.

O sedentarismo das cabeças está matando multidões, tolos que acham que corpo malhado é tudo, quando, na verdade, e quase sempre, é apenas aparência. O que faz a decisiva diferença na vida é o tirar a cabeça do sedentarismo. Mas eu sei, dá muito trabalho, melhor, para muitos, é correr atrás do vento. Decisão pessoal não se discute...

Lápis

Ontem ouvi uma escritora dizer num programa de tevê que gostaria que a vida dela tivesse sido escrita à lápis. Daria para apagar. Eu também gostaria, só que não... Escrevemos nossas histórias em pedras. Daí a importância do equilíbrio, de uma cabeça prudente, assim, teríamos menos “pedras” nas nossas vidas. Mas de um certo modo, podemos sim “apagar” questões do passado, basta revê-las e delas achar graça, porque quase sempre foram geradas por refinadas tontices. Olhando para a frente, apagamos o passado.

Destino

Um garotão me procurou para dizer que estava muito indeciso quanto ao que cursar a partir dos 18 anos... Tinha muitas dúvidas. Nem pisquei, aconselhei-o a fazer um curso técnico, que escolhesse o melhor para o estilo dele e fosse com tudo. Não sei o que a família dele deve ter dito do conselho, mas se ele o seguir, garanto, vai se dar bem. Os cursos técnicos não são mais o futuro, são o hoje...

Falta dizer

O pensador francês Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) disse uma formidável bobagem, disse que “o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Negativo, o homem não presta ao nascer, só a severidade da educação vai pô-lo, mais tarde, “um pouco” nos eixos. Não nascemos para o bem, nascemos bichos predadores...