Liguei a TV e fui indo pelos canais a procurar por algo de bom ou interessante... Fui, fui, fui e nada... Até que dei de cara com um senhor que estava no vídeo roncando, grunhindo como um porco.

Ué, o que é isso? Logo fiquei sabendo que ele estava possuído pelo demônio. Pode isso? Para as cabeças ocas, pode. Em seguida apareceu um outro sujeito, fez alguns gestos e também grunhiu palavras. Pronto, o demônio foi embora. Pode isso? Pode, já disse.

E vendo essa bizarrice, lembrei que durante minha primeira infância, e até um pouco mais tarde, ouvi incansáveis vezes gente da minha família e das vizinhanças falando da “mulher sem cabeça”, uma mulher que saía do cemitério à noite e perambulava pelas ruas.

Todos falavam dessa mulher, mas... Ninguém a tinha visto “pessoalmente”, todos tinham ouvido dizer. E os que davam o depoimento juravam de pés juntos que a mulher sem cabeça existia...

É como a história da cobra nas alfaces de um supermercado. Todos contavam a história com detalhes, mas ninguém pessoalmente tinha visto a tal cobra picando e matando uma senhora.

Venho até aqui, leitora, para dizer que de certo modo é verdade, existem demônios ou o que for do imaginário humano. Existem sim. Existem dentro de nós, frutos de nossas cabeças insanas.

O meu demônio vem de minhas fraquezas, dos meus medos, das minhas inseguranças de todo tipo. Vem dos meus ódios, dos meus ressentimentos. Tudo isso formam (ou forma, valem as duas expressões) as minhas possessões demoníacas.

Claro que existe o diabo, o nosso diabo, criado e alimentado por nós. Outros não falam em demônios, falam em possuídos por espíritos, o que dá no mesmo.

Ninguém vem de fora nos infernizar a vida, que isso fique muito claro. E o mais curioso de tudo é que essas possessões não acontecem com pessoas de boa cabeça, iluminadas por saberes e qualidade de percepção. Pessoas, enfim, que cresceram.

Existem mulheres sem cabeça? Bah, em multidões... Como também existem os homens sem cabeça, ô, haja vista os que andam por Brasília, se achando...

Céu e inferno estão dentro de nós, de outro modo a vida seria um crime hediondo com agravantes plenos de premeditação do “Criador”. Quando alguém perto de você disser que está possuído, seja do que for, concorde. A pessoa está possuída dos seus próprios demônios.

Retrocesso

Ignorância virou “padrão de qualidade”. Dia destes, cumprimentei aqui uma apresentadora de TV que pronunciou “récord” e em seguida pediu desculpas, corrigiu-se e disse “recorde”, o certo.

Pois não é que essa mesma apresentadora agora só diz “récord”. Certamente que algum chefe mandou-a “padronizar” a pronúncia na “grande tevê”. Ignorância virou “padrão”.

Ridículos

Os ridículos precisam ouvir ou saber que são ridículos.

E o que é ridículo? É o que se afasta grotescamente do convencional preponderante. Não é outro o motivo do sucesso do carnaval, o pessoal pode soltar suas frangas fantasiosas e tudo bem.

Fora disso, não mesmo, companheirada, disciplina e padrões. Sem muxoxos! Descubram por que tantos são reprovados em provas de seleção de pessoal e saem sem desconfiar...

Falta dizer

Falei em possessões demoníacas lá em cima? Uma dessas “possessões” vem dos pensamentos repetidos: não posso, não devo, não mereço, é impossível, não tenho jeito, não tenho sorte, é arriscado tentar... E por aí.

A pessoa vai se condicionando aos nadas na vida a partir do modo de pensar resultante dos “valores” repassados pelos “velhos” que nos educaram em criança.

 

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