Casos perdidos

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

sábado, 04:00 - 12/03/2016

Luiz Carlos Prates
Há quem não se convença que existem muitas pessoas, maioria mesmo, que são casos perdidos. Perdidos. E não estou falando da psicopatia, sabemos que os psicopatas nascem psicopatas, que não se perca tempo com eles. Não me estou querendo referir aos doentes mentais incuráveis, me refiro a pessoas comuns, dessas de todas as famílias. A maioria é mesmo caso perdido. Você já ouviu alguma vez a frase – Ele não sabia que era impossível, foi lá e fez? Eu a ouvi pela primeira vez quando narrava um jogo de futebol, o que fiz por 25 anos. Um jogador do Internacional, Claudiomiro, deu uma “patada” de pé esquerdo e fez um gol inesquecível no estádio Beira-Rio recém-inaugurado em Porto Alegre. Narrando o gol, eu disse que Claudiomiro não sabia chutar de esquerda, quando na verdade quis dizer que o seu forte não era o pé esquerdo... O repórter atrás do gol não deixou passar e gritou – “Pois é, não disseram para o Claudiomiro que ele não sabia chutar de pé esquerdo, ele chutou e fez esse gol inesquecível...” Essa frase – ele não sabia que era impossível, foi lá e fez – serve para todas as famílias, afinal, todas têm seus mandriões. São pessoas a quem você dá todas as oportunidades e elas não saem do lugar, acham desculpas para tudo, não agem e se repetem no nada... Outras nascem no barro, sem nada, sem muitos estudos, sem bons exemplos por perto, vidinhas apertadas mesmo, mas elas tomam uma decisão, arregaçam as mangas e... fazem. Vencem. E ninguém disse a elas que lhes era “impossível” dadas as suas origens e condições sociais. Com a maioria que anda por aí não adianta conselho, exemplos, aulas de motivação, parece que nada funciona, elas não saem da cadeira do comodismo, do medo, da inação. São casos perdidos. Na vida, vão no máximo conseguir empreguinhos, ranger dentes o tempo todo e se dizer sem sorte, perseguidas até. Falta a essas pessoas determinação, vontade. E determinação e vontade, leitora, não se dá a quem não as trouxe do berço, nos “genes” dos mistérios da vida. São casos perdidos. E não adianta dizer a elas que é possível, elas estão sentadas sobre os impossíveis de suas marcas de nascença. – “Ah, Prates, mas com isso tu tiras a esperança de pessoas!” Não tiro, os incendiados da fé sabem disso, agem mesmo diante dos “impossíveis” e vencem, ainda que tenha nascido no barro...

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