Uma pessoa muito querida, degustava um cafezinho... Lá pelas tantas, pousou a pequena xícara e fez uma frase: - “Se eu ganhasse na Loteria, compraria hoje uma casinha muito bonita em... (e disse o nome da cidade catarinense em que ela gostaria de viver) e, com certeza, viveria muito bem, bah, se viveria”!

Ouvi e não redargui. Mas fiquei pensando. Não será nesta ou naquela cidade que vamos encontrar a felicidade, a felicidade já está acomodada há muito tempo... dentro de nós, ela só espera que a chamemos. E aí, seja onde for, estejamos onde estivermos, seremos felizes.

Diante dessa verdade, sou forçado a voltar à velha história do “lá” e do “então”, nosso vezo de colocar sempre a felicidade lá, em outro lugar, e então, em outro momento, quase nunca no aqui e agora, nossa única possibilidade de sermos felizes.

Vale para muito, para quase tudo na vida. Conheci pessoas que falavam mal o tempo todo da empresa onde trabalhavam, um dia, demitidas, conheceram, aí sim, o inferno, e o inferno não era onde estavam trabalhando.

Até já contei aqui de uma colega jornalista que vivia pelos corredores da empresa, uma baita empresa, rangendo dentes e falando mal dela. Dizia-se explorada, que trabalhava demais, que não lhe valia a pena, isto e mais aquilo, até que... Um dia foi demitida. Pra quê!

A colega foi para casa e não celebrou a “vitória” de ter saído da empresa que ela xingava tanto, pelo contrário, mergulhou numa formidável depressão. Ex-colegas dela a acudiram, foi um parto a fazerem voltar à vida. É a tal coisa, muitas vezes pensamos que estávamos numa fria, num túnel sem saída, mas... não era túnel, era vida, era felicidade não reconhecida.

Porque também tem isso, a felicidade, por costume, anda de roupas sem charme, sem grifes, dá a parecer que não é ela, que estamos mal, que isso e mais aquilo, enquanto a felicidade ali está, ao nosso lado, malvestida, disfarçada, mas nos piscando o olho.

É preciso vê-la e reconhece-la. A felicidade pode sim estar numa casinha pequenina, pintadinha, com jardim, lá naquela “cidadezinha” do interior, pode sim, mas pode também estar no nosso aqui e agora e não nos darmos conta.

Quando a pessoa querida de quem falei suspirou por uma casinha lá no interior, pensei: É bem provável que essa casinha já esteja agora, aí, dentro de ti! Abre as janelas dela, vai!

 101

No site UOL, a história de um americano recém-aposentado, aos 101 anos. Foi da Marinha durante muito tempo e agora, por fim, diretor de uma empresa de tecnologias. Foi “pressionado” pela família para descansar um pouco... Arredio, aceitou.

Perguntado sobre a aposentadoria, disse que só se aposenta quem não gosta do que faz. Na mosca. O velhinho é guerreiro. Já os molengas querem se aposentar o mais cedo possível. Quantos e quantos...

70

Numa roda de amigos, contei do velhusco americano que só se aposentou aos 101 anos porque foi pressionado pela família. E comentei que ele gostava muito de trabalhar. Foi quando uma garota do grupo disse que o pai dela, médico, sempre adorou a Medicina e que só se aposentou aos 70 anos. Fiquei quieto e pensei: o cara nunca foi “Médico”, não gostava do que fazia. Aposentado aos 70 anos? Que baita fracasso!

Falta dizer

Queres ganhar uma discussão? Fiques de boca fechada, ganharás todas, seja em casa, na empresa ou numa campanha política. Em debates, só tem a ganhar quem está por baixo, bem por baixo. Quem está por cima só tem a perder. Não é uma boa lição?