As mãos e a vida

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

quarta-feira, 04:00 - 16/03/2016

Luiz Carlos Prates
Liguei a tevê só para me incomodar. Foi no programa da Fátima. Lá estava uma quiromante, cercada por homens e mulheres de cabeças frouxas, olhos fixos, todos interessados na “leitura” que ela fazia das linhas das mãos de algumas pessoas. Dentre essas pessoas, Ana Paula, a coisa mais linda que já passou pelo Big Brother... A “vidente” leu nas linhas da mão da Ana o que ela é, o que virá a ser no futuro se não seguir algumas indicações, indicações para viver melhor no futuro. Tudo estava escrito nas palmas das mãos da Ana, como de qualquer pessoa que venha a procurar por um tal tipo de pitonisa. Foi aí que me irritei e desliguei a tevê. Faz muito tempo que as tevês passaram a prestar um enorme desserviço às pessoas menos esclarecidas, não as quero chamar de mentes estreitas, crentes dos nadas da empulhação. Desde quando o “destino” pode estar traçado nas linhas das mãos? – Ah, Prates, mas as linhas não são destinos imutáveis, são tendências, as coisas podem ser mudadas! Ora bolas, a ninguém foi dado ver o futuro e mais ainda a criá-lo por desenhos na palma da mão. Vale para todo tipo de jogos divinatórios, e sei que há “profissionais” muito concorridos aqui entre nós em Santa Catarina, Balneário Camboriú me parece que lidera o ranking. Mulheres tontas, de vidas vazias, procuram todos os dias por esse tipo de “profissional”... Santo Deus, perdoai-lhes, não sabem o que fazem... Fariam muito melhor se acreditassem nas possibilidades milagrosas da água benta... Da única água benta que existe: a da testa, o suor dos esforços, da fé na decência, na competência e nas saudáveis obstinações. Só isso funciona, só isso produz milagres. Mulheres e homens vulgares, de cabeças vazias e vidas mais ainda, acreditam nesse tipo de empulhação milenar, e engrossam a conta bancária dos “profissionais da vidência”. Horror. Mas insisto, o que mais me irrita é esse tipo de televisão de programação estúpida, que abre caríssimos espaços para a empulhação de charlatões. Mas têm uma audiência... Claro, faz sentido, os “pequenos” adoram esses jogos de ver e prever o futuro. Responsabilizar-se pelos erros, pelas estupidezes cometidas no passado, ah, isso não, para isso ninguém precisa de oráculos. E fingem não saber, esquecer o que fizeram de errado.... A culpa foi sempre dele ou dela. Mas é bom não esquecer que às vezes podemos ler a vida de uma pessoa pelas linhas de suas mãos, sim: as linhas calejadas do trabalho...

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