Parei o carro numa sinaleira e fiquei olhando para os lados. Um pouquinho à frente, um supermercado. E do supermercado saíram duas pessoas, uma mulher e um menino, de uns 3 ou 4 anos. Mãe e filho, provavelmente.

Até aí nada. Mas foi ver os dois vultos saindo do supermercado, lembrei de Lupicínio Rodrigues, o compositor gaúcho que um dia escreveu num dos seus sambas que – Vergonha foi a herança maior que o meu pai me deixou...

Sim, mas o que os dois vultos saindo do supermercado têm a ver com o samba do Lupicínio? Tente imaginar a cena. A mãe, a mulher que levava o menino, carregava duas sacolas plásticas, com as compras recém-feitas, provavelmente.

O erro estava em o menino não levar nada nas mãos. A mãe tinha que ter dado para o menino levar nem que fosse um pacotinho de Bombril... O guri vai crescer manhoso, mandrião, vadio, sem responsabilidades... A mãe errou, tinha que ter dado algo para o guri levar.

Aliás, vejo cenas desse tipo quase todos os dias na saída das escolas: a mãe buscando o filho na porta do colégio, pegando a mochila dele e levando numa mão, com a outra mão leva o menino. Erradíssimo.

Quem tinha que levar a mochila era o guri, a mochila é dele, ele tem que aprender a ser responsável pelo que cabe a ele. – “Ah, Prates, deixes de ser imbecil, a mãe está fazendo o papel de mãe, o menino, coitadinho, ficou muitas horas sozinho no colégio, é justo que ela leve a mochilinha dele”!

Erradíssimo, já disse. Aliás, essa conversa me faz lembrar outras e outras. Por exemplo, por que o herdeiro ou herdeiros de uma grande empresa não a levam a mais sucesso do que o fundador dessa empresa? Porque os herdeiros pegam tudo pronto, não conheceram o suor amargo das grandes construções, pegaram a cama pronta.

Vale o mesmo, mais das vezes, para quem ganha um baita prêmio na loteria. Esse tipo de gente não costuma ir longe, gasta ou perde tudo com facilidade, e faz sentido. Quem não conheceu a dureza não valoriza a riqueza. E as mães (pais também, é claro) são os criadores hoje dos mandriões de amanhã. – “Dá a mochilinha, filho, que a mãe leva”! Lixo.

Suicidas

A manchete é paulista: - “Número de suicídios entre PMs quase dobra em 2018”. Pudera, os caras saem para enfrentar vagabundos que nada têm a perder, se esfolam no trabalho psíquica e fisicamente e, não raro, ainda são duramente criticados por abutres da imprensa e esquerdopatas pútridos. Mas esses abutres críticos das PMs são os primeiros a chamá-las quando se veem borrando as calças... Ordinários!

Safados

Vagabundos, que depois, na hora da defesa, botam gravata, vêm de outros Estados para infernizar a vida de pessoas em condomínios aqui entre nós e pensam que irão voltar para casa sem um bom “corretivo”.

Aqui a conversa é mais embaixo... Nossa PM faz os vagabundos, turistas da baderna, borrar as calças. Cumprimentos à nossa PM, é assim que se faz, ações à altura das provocações. Aliás, eu queria esses turistas também na minha delegacia, bah! Eles iriam cantar um samba que começa assim: ai, ai, ai, ai...

Falta dizer

Um pouco de leveza, finalmente. Você sabe quando somos mais felizes? Quando menos pensamos em ser felizes.

Geralmente, a agudeza de busca pela felicidade é quando não nos damos conta de que éramos felizes e... não sabíamos, não é mesmo, Ataulfo Alves?