Aplicativos mágicos

Colunistas

Por: Luiz Carlos Prates

quinta-feira, 08:33 - 24/03/2016

Luiz Carlos Prates
O suicídio é o tiro final na vida. Mas antes do suicídio as pessoas se matam aos poucos e de modos aparentemente distantes de um suicídio. Ou alguém vai se atrever a dizer que o modo de vida de hoje em dia é saudável? As pessoas se matam todos os dias, aos poucos, e ainda se defendendo a dizer que não, que estão se divertindo ou que estão em busca de prazer, de felicidade. Mas é só olhar para elas para vê-las completamente fora “da casinha” da decência moral e da vida saudável. É só olhar para elas. E são pessoas de todas as idades, aliás, muitíssimas crianças estão nessa, “adoecidas” pelos pais. Esta conversa, leitora, acaba-me de chegar por meio de uma “novidade”, como se hoje houvesse novidades. A tal novidade é um aplicativo para celulares, veja se pode, que visa a combater no usuário o estresse, melhorar a autoestima e fazer a pessoa perder peso... A mesma coisa foi dita quando lançaram no mercado o Prozac, o ansiolítico dos “suicidas” morais... Ora, minha autoestima depende de como me vejo no espelho da vida, depende de minha conduta ética, depende de como me amo ou me odeio, depende, enfim, de minhas vísceras morais, emocionais. Um celular me vai colocar “lá em cima” quando me vejo aqui embaixo? Impossível. O que me estressa vai deixar de me estressar, é isso o que me promete o novo aplicativo dos celulares? Nada na vida nos produz estresse senão o nosso modo de perceber e reagir aos estímulos. Não fosse assim não existiriam coveiros. O estresse os mataria... Emagrecer olhando para o celular? Bolas, o Prozac também prometia isso. Só há um modo de emagrecer: fechando a boca e tendo controle emocional ou vergonha na cara para que a pessoa se controle diante dos ímpetos de buscar nas comidas as compensações para suas tibiezas na vida. Aplicativos no celular para mudar caráter, jeito de ser? Francamente! Sobre nossos modos suicidas de viver nenhum celular vai nos evitar de disparar o último tiro, que pode ser mais um bombom, mais um gole, mais uma garfada, mais lágrimas de fraqueza, o que for, formas erradas de viver. A verdadeira mudança, a verdadeira vida pode ser encontrada diante do espelho do banheiro: puxando a máscara dos disfarces e dizendo, olho no olho de nós mesmos: “Covarde, acorda, muda, cria coragem, tu tens um imenso valor, não te deixes anular por comparações ou invejinhas e expectativas alheias”. Aí estará a vida, sem celulares nem Prozacs.

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