Sentei para o chimarrão, tevê ligada no canal Travel, uma boa opção para quem quer viajar sem sair de casa. Nesse momento, lembrei-me de uma amiga, muito graciosa, trabalhamos juntos na RBS-TV. Decidi telefonar para ela. Fui à minha agenda de telefones procurar pelo número dela.

Sim, no meu celular não tenho o telefone de ninguém, todos estão na minha agenda, aquela cadernetinha com indicativos da A até Z. Ali guardo nomes e números. – Ah, Prates, mas isso não existe mais! Eu sei, leitora, ninguém faz mais isso, é tudo no celular, mas... Sou um teimoso descompassado, um fora-de-época ou um abobado mesmo.

Prefiro continuar com minha agenda. Fui a ela, peguei o número da amiga e conversamos por bom tempo. – Ao ligar para ela fiz voz de locutor-padrão, mas para meu desapontamento ela atendeu ao telefone já me identificando pelo nome, não fez a pergunta convencional: Sim, pois não? Ela tinha o meu nome no celular. Agora, deixe-me dizer a que venho.

Depois de conversar com minha amiga, fui ler os nomes e os telefones da minha preciosa agenda. Que horror! Mais de 90% dos nomes e telefones anotados não servem para mais nada. Nomes e números que foram ficando pelo caminho, por várias “razões”.

As pessoas à medida que o tempo passa vão se revelando, e muitas das que um dia pensamos importantes, queridas, não eram nada disso, eram, digamos, referências de que precisávamos, ou essas pessoas de nós precisavam.

Enfim, pensei comigo: - Ora, se fazemos limpezas nas gavetas, se aconselhamos pessoas a que se livrem das tralhas, do que não serve mais, por que não fazer o mesmo com nomes da agenda telefônica? Lixo. Ficar só com os nomes dos amigos de fato. Acabou, acabou. Além do mais, muitíssimos dos que “acabou, acabou” de fato nunca valeram muito...

Minha agenda de telefones era um ônibus lotado, mas... Acabou passando por uma varredura, desce, desce... Livrou-se, viu-se livre de muitos nomes e números hoje mais que indigestos, insuportáveis. Duvido que na sua “agenda”, leitora, não haja também muito “lixo” a ser varrido, varrido da memória.

VIDA

Vida é mudanças. A vida muda o tempo inteiro. Uma das nossas maiores desgraças é nos apegarmos a coisas, valores ou pessoas como se tudo fosse ficar o tempo todo ao nosso dispor e vontade. O desapego não foi pregado de graça pelos budistas milenares, foi sabedoria mesmo. E veio daí a pregação para vivermos o aqui e agora, só o que temos na vida, só. O que passou, passou, e o que está por vir é uma fantasia, pode não vir. Sabedoria de poucos.

REALIDADE

Que continha difícil de ser fechada essa nossa com a felicidade. A felicidade costuma estar no que não temos. Raros são felizes com o que têm. E o outro lado dessa moeda é o ser feliz com o que tínhamos e não temos mais, com o que perdemos... Baita perda de tempo, para não dizer estupidez. Transformar limão em limonada foi uma bela sacada que alguém um dia deu, incontestável. Às vezes, o “limão” que pensávamos não ser bom acaba sendo o grande amor da nossa vida...

FALTA DIZER

Como estou falando com amigas, vou usar da linguagem bem lá do galpão... – Mulherada, acorde! Acorde, caia fora enquanto é tempo! Ouça esta manchete: - “70% dos feminicídios no Distrito Federal não tinham nenhum registro prévio de agressões, maus-tratos”. Claro, a maioria apanha e fecha o bicho para não perder o cara. Caiam fora no primeiro pigarro do “pandorga-sem-rabo”...