Olhei a foto no jornal e pensei, - “Puxa, era um velho, eu não o imaginava tão velho”! Não era um velho, fazia-se de velho, isto é, era um desleixado existencial ou um sujeito fazendo um tipo... Bem provável a segunda hipótese, fazia um tipo. E aí fica a velha história, não somos, mais das vezes, o que parecemos ser, somos outras pessoas... Julgar pelas aparências sempre foi um risco, e toda vez que digo isso lembro do sarcástico Oscar Wilde, o irlandês filósofo, que dizia que – “Só os idiotas não julgam pelas aparências”... Enfim... Fiz essas digressões todas nem sei porquê. Ah, acho que lembrei. Foi uma frase que li ontem e que fiquei de passar para a minha caixa de sapato de frases e acabei esquecendo. A frase diz assim: - “Viva sua vida e esqueça sua idade”. Bom conselho, magnífico, mas... É difícil de pô-lo em prática, sabes por quê? Porque vivemos numa era em que “todos” precisamos ser jovens, como se ser jovem fosse sinônimo de saúde, inteligência, equilíbrio emocional, vida, enfim... A sociedade em que vivemos cobra-nos uma cara lisa, sem rugas, um corpo afinado como o dos melhores modelos, isso e mais aquilo. A mesma sociedade não cobra ética, sabedoria, prudência, educação, ser gente, enfim. Não, isso não é cobrado. E diante das posturas do coletivo da sociedade, quem não for muito disciplinado consigo mesmo acabará seguindo o rebanho dos estúpidos, isto é, da maioria que anda por aí, da maioria mesmo. Agora, que fique claro, o conselho, como disse, é bom, magnífico mesmo, mas é preciso um certo cuidado com ele... Atirar-se, não se cuidar, andar como melhor lhe convém é coisa para gente repugnante. Viver a vida e não a idade significa esqueça o calendário, viva a juventude que você realmente sente, e se não for juventude, a vida que for, mas sua, independente do que lhe pedem e esperam. Mas que fique claro, sempre dentro da decência de qualquer idade. A figura a que me referi lá em cima e que parecia a de um velho, já disse, não era um velho, não para receber esse título, mas... Era uma pessoa bizarra, atirara-se na vida muito cedo, fez um tipo e aí não tinha mais chances de mudar: morreu como um velho (na aparência) e não era um velho. Mas a grande pergunta não posso responder: será que foi feliz como era? Loucuras? Sim, loucuras, não somos ingênuos, sabemos que andamos correndo atrás dos ventos, que somos uns otários existenciais, sabemos ou intuímos isso. Os valores ditados pela sociedade e tontamente por nós seguidos nos exaurem, sabemos que são tontices mas “é preciso” segui-los, ser como os outros, não queremos ficar fora do rebanho. Só que os outros vivem mentindo, para eles mesmos e para nós. E nós, estúpidos, nos cansamos com tolices que só serão reconhecidas como tolices na... UTI. Ainda é tempo de escapar. Será? Falta dizer Se o que fazemos está dentro da lei e não tira pedaços de ninguém, por que mudar o rumo? As mudanças só devem ser no rumo profissional, para melhorá-lo. O mais é rebanho. Burrice pura.