Sim, eu sei, há assuntos bem mais importantes... Será? Muitos da massa de rebanho são pessoas sem boa informação, formação, leituras, tudo. Daí que são pessoas capazes de aceitar qualquer tolice que lhes seja oferecida, como, por exemplo, uma pílula para desenvolver um cérebro turbinado, ter uma cabeça acima da média... É o caso de uma estupidez que está sendo oferecida aos desatentos sob a proposta de ser um Viagra cerebral... É um comprimido que chega até nós (até nós, não, até eles, os incautos...) debaixo da seguinte manchete: - “Legalizada no Brasil, nova pílula da inteligência intriga médicos”. Muito me admira que ainda haja patetas, opa, quis dizer médicos, que dão ouvidos a tão refinada estupidez. Vamos lá. Você pode fortalecer seu corpo físico, pode deixá-lo muito bem de saúde, e a mente/cérebro faz parte desse corpo, mas não pode agir especificamente sobre os processos de cognição do cérebro de modo a que um tosco se transforme num sábio. Ora bolas! A chamada inteligência, que é um tipo de prontidão de respostas adequadas a uma situação nova e a necessitar de solução, essa inteligência tem componentes genéticos, mas que não decidem necessariamente, e questões culturais. Nessas questões culturais entram a motivação da pessoa diante de um interesse ou encantamento; entram as leituras que nutrem a memória, facilitando mais tarde respostas solicitadas pelas circunstâncias; entram os interesses diversificados da pessoa sobre sua cultura e mundo; entra o trabalho, dos mais diversos modos; entra igualmente e com muita força a curiosidade e, é claro, em altas doses a vontade de chegar a determinada posição ou resultado. Enfim, a mente humana não trabalha sob um único estímulo e tampouco existe remédio que a possa fazer inteligente de modo multifacetado. É quimera, sonhos, exploração dos ignorantes. Mas é isso, o mercado dos impostores, dos arrivistas do lucro, dos espertalhões da ignorância alheia, abre caminhos para esse tipo de exploração: Viagra do Cérebro. Ademais, se uma pílula tivesse esse poder, estaríamos diante de uma severa injustiça da vida: a igualdade dos desiguais, o vadio se tornando tão inteligente quanto um rapaz estudioso e disciplinado. Bem coisa de vagabundo mesmo, querer achar um atalho para o que exige uma vida de esforços e responsabilidades. Que os incautos vão procurar um livro, esse sim, o verdadeiro “remédio” das múltiplas inteligências.

LEIA A COLUNA COMPLETA NA VERSÃO DIGITAL DO JORNAL O CORREIO DO POVO