O que vem a seguir é fato, não é história inventada. E quando se diz que algo é um fato não se precisa dizer que é uma verdade, todo fato é sempre uma verdade... O tal fato envolve um cidadão. Foi dia destes em Florianópolis. O tal cidadão saiu de sua mesa de trabalho por volta das 13h30 e foi almoçar. Encontrou dois amigos, almoçaram juntos, conversas, risos e... – Aonde tu vais agora? - perguntou um dos amigos ao protagonista desta história. – Vou voltar para o meu trabalho! - foi a resposta. Não voltou. No caminho para o escritório, o cidadão caiu morto, coração. Sem chances, morto. Soube da história e fiquei pensando na frase: - “Vou voltar para o “meu” trabalho...”. Que “meu” trabalho? Nada é nosso. Sem essa de minha mulher, meu marido, meu trabalho, meu filho, minha casa, meu isso, meu aquilo... Somos apenas meros e fugazes administradores, se tanto, de algumas coisas que nos cercam. E aí está a maior mensagem da vida, mensagem que não queremos admitir. Imaginamo-nos eternos, posto que saibamos o tempo todo que somos frágeis bolhas d’água nos ventos da vida... Vivemos para eternidades quando não temos como garantia um único e solitário minuto que seja da próxima volta do ponteiro da vida. Vivemos nos futuros, não vivemos no aqui e agora, única certeza de que podemos gozar. Estultos. A grande questão é que o que nos acontece agora, no momento, já havia começado a acontecer faz tempo, há muito tempo... Há quem diga que até mesmo o imponderável das tragédias. Bom, mas nesse caso, a pessoa precisa acreditar em destino, no que está escrito, no que estava escrito... Mas acreditar em destino é para gentes de cabeças pequenas. Afinal, se houver, ou houvesse destino, o criador desse destino seria um ser miserável, safado, ordinário e maldito. Esse ser miserável teria dado às pessoas sortes diferentes e por nenhuma razão especial, simplesmente teria jogado felicidade para uns e danações para outros, riquezas para alguns poucos e misérias para a maioria... Não, não há destino, não há criador ou criadores de destino. E se é assim, assumamos as nossas contas na vida. O que mata uma pessoa, fora das tragédias, insisto, começou a matá-las muito antes, foi uma condenação, um “destino” criado pela própria pessoa. Quem nos mata somos nós mesmos. Que triste. MALHAÇÃO Sou “obrigado” a ver Malhação, na Globo... Obrigado porque é hora do meu chimarrão para esperar por Novo Mundo. Essa sim vale a pena. Malhação me irrita. Irrito-me ao ver todos os jovens da novela com essa maldição que se chama celular na palma da mão. Celular não é mais telefone, é ligação para a estupidez o dia todo, mensagens inúteis, humor barato, tontices, vida jogada na lata de lixo. Mas vá dizer isso para os “moderninhos”, vá. Como vão se arrepender mais tarde do tempo perdido. Será muito tarde, panacas! TEMPO Você já sabe que todas as nossas piores encrencas começaram lá atrás, num momento que nos passou batido ou que fingimos não ver... O casamento “insuportável” de hoje começou a ficar assim faz tempo. Alguém não quis ver, aceitou, engoliu desaforos, desfeitas que não devia e agora está nessa. Ou pode vir a estar, ainda é tempo, reaja e caia fora, se for seu caso. FALTA DIZER Imagine alguém que não cometeu nenhum crime, mas que foi condenado à prisão perpétua. Ele tem comida e água pelo resto da vida e os “carcereiros” dizem que o amam. Pronto, aí tem você a ideia de um passarinho na gaiola... Crime hediondo... dos “carcereiros”.