Preparei o chimarrão, subi para a minha sala de trabalhos e recreação, ajeitei as almofadas, liguei a TV e comecei a rodar pelos canais. Nada, nada, nada, nada que prestasse... De repente, dei de cara com uma jovem mulher, sorridente, vendendo produtos de beleza na TV, aliás, esse canal vende de tudo. No momento em que “encontrei” com a garota, ela falava de queda de cabelo, falava para as mulheres, e disse uma frase que me trouxe a este encontro com você, leitora, leitor. Ela dizia que muito da queda de cabelo se deve ao estresse. Ela tem toda a razão, e digo mais, o estresse está por trás da maioria dos óbitos que anda por aí... Maioria. O estresse parece ser apenas um desequilíbrio emocional que vem e passa. Aí é que está. Esse “passa”, não passa. Ficam as consequências do envenenamento do sangue pela presença das elevadas secreções de hormônios que o estresse provoca. Quando temos como reagir, fisicamente, o envenenamento é menor. Ocorre que não temos o que enfrentar “fisicamente”, nossos enfrentamentos e desgastes de hoje são emocionais... Não há um tigre, um tigre mesmo, diante de nós... Há a mulher, o marido, os filhos, um chefe, algum colega, um estranho, pessoas, pessoas e mais pessoas... As estrelas e as árvores não nos estressam... Mas não era bem isso o que eu queria dizer, eu quero é enfatizar uma frase que a garota das vendas na tevê disse, sorrindo. Ela falava da queda de cabelos produzida pelo estresse e aí fez a tal frase. Esta. – “Como não ficar estressado nos dias de hoje, impossível, não é mesmo, gente”? Sim e não, querida. Mais das vezes, nossos estresses vêm-nos de bobagens, de estímulos, vivências, experiências que nada significam de mais importante nas nossas vidas. Quase tudo o que nos estressa é equívoco de nossa parte. O que, de fato, vale a pena são poucas coisas, bah, pouquíssimas. Saber disso, e separar bem os joios da vida dos trigos da felicidade é alicerce da felicidade. Infelizmente, virtude de poucos. Do desconhecido O estresse vem do medo, do desafio, do desconhecido, é um modo de o ser humano se preparar para a fuga ou a luta. Enfrentar o que o assusta ou dele fugir... Só que não havendo algo “físico” para enfrentar “fisicamente”, mais das vezes nos desgastamos por quase nada. E depois de muitos anos de vida estressada, muitos chegam à velhice, olham para trás e suspiram arrependimentos, ou por ter a saúde abalada ou por algum outro sofrimento, o suspiro é mais ou menos este: - “Ah, como fui burro, como perdi tempo com bobagens, ah, se eu pudesse voltar atrás”. Felizes os que ainda podem voltar atrás... Inferno aos malditos A reportagem era sobre asilos clandestinos, sujeira, desamparo, desrespeitos, o de pior, e muitos idosos “vivendo” ali... Era em São Paulo. Mas vale para o Brasil. Filhos malditos que abandonam os pais. Ao inferno, filhos malditos.