Há um programa no canal 44 da Net – O Mundo Visto de Cima, que me provoca ansiedade, na verdade, me põe para baixo. É um programa que mostra – de cima – mas com detalhes muito precisos, cidades europeias muito pouco conhecidas.

Cidades históricas, com muito para contar, cidades que abrigaram reis e rainhas, príncipes e princesas e que entraram no mapa do mundo por guerras, masmorras e luxo, muita riqueza. E é aí que fico um tanto murcho. Não gosto de ver o passado com os fantasmas que eles escondem...

Nesse – O Mundo Visto de Cima – vê-se em detalhes palácios, castelos, casas imensas, com dezenas de quartos e salas e... que me deixam pensativo. Naqueles palácios, naquelas casas fortalezas, naqueles palacetes, quantas pessoas precisavam habitá-los para que as paredes tivessem um pouco de vida? – Ah, aqui morou o príncipe fulano, ali morou o grande empresário sicrano... E é nesses momentos que me inquieto pensando na estupidez dessas pessoas que entraram na história por razões pouco nobres.

Por que casas, palácios, mansões tão imensas, tão exuberantes, por quê? Quem era capaz de ter uma família suficientemente numerosa para poder habitar aquelas construções sem se perder pelos corredores e andares?

O ser humano, regra geral, é mesmo muito estúpido. Sob argumentos levianos, os megalomaníacos sempre precisaram – e precisam – de exibir poder, de mostrar-se aos outros, ao mundo, como pessoas poderosas. E só faz isso quem não tem poder. Poder só tem quem tem cabeça em paz e saberes para uma vida inteligente, sem grandezas externas nem gastos tolos.

Ontem como hoje, os desesperados da vida, os de vida vazia, procuram por fora o que não encontram por dentro. E ninguém me venha dizer que um príncipe, ou grandes empresários precisavam daquelas fortalezas/mansões para viver bem. Vivem bem os inteligentes da vida, os que entendem que riqueza só há uma: a paz interior, e danem-se os mundanos das exibições.

Você pode ver os jogadores de futebol de hoje. Pernas-de-pau, como o Neimar, não jogam nada, são fiteiros, enroladores, e muito ricos. E o que por primeiro fazem? Compram carros de milhares de reais ou dólares, compram mansões sem ninguém por dentro, enganam-se, enfim. Mas sempre foi assim e vai continuar assim. Os que nada têm por dentro, querem ter por fora. Mas por fora, a conta nunca vai fechar. Ela só fecha por dentro...

Paredes

Muitas vezes, a pessoa está sozinha na sala de trabalho na empresa. Ninguém por perto, os outros já foram e... o funcionário que ficou, frustrado, irritado com algo, causa um dano à empresa. Ninguém vai ficar sabendo... Engano.

As paredes têm olhos e ouvidos, cedo ou tarde elas vão bater com a língua nos dentes a quem de direito.  E antes de tudo, essas paredes são também a consciência moral do “delinquente”, que o vão fustigar ao estresse e à doença...

Casais

Na tevê, um casal de palestrantes sobre relações conjugais diz que – “Antes, trair era mais complicado. Hoje em dia, marido e mulher podem estar sentados lado a lado, em frente ao computador ou celular, traindo sem o outro saber...”. Muitíssimos maridos bem o sabem... O WhatsApp é um motel para eles, hein?

Falta dizer

Quando alguém trai a outrem sem que esse outrem saiba ou fique sabendo, quem na verdade está se traindo é o infiel. Por ordinária que seja a pessoa, ela tem dentro dela um tribunal moral, togado. E esse tribunal bate o martelo da condenação, condenação que virá em forma de infortúnios inconscientes e autocriados pelo infiel... Essa lei é implacável.