A conta não fecha

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Por: Luiz Carlos Prates

quarta-feira, 04:00 - 29/06/2016

Luiz Carlos Prates
A conta parece que nunca vai fechar. Há quem diga de um lado que quem vive para ter dinheiro não será feliz... E há quem diga por outro lado que ninguém será feliz sem dinheiro. Exagero dos dois lados? Pode ser. Mas se fosse fácil fechar essa conta da felicidade na vida não haveria tanta gente infeliz. Acabei de ler uma recomendação de uma mulher budista, praticante dessas bem devotadas. Ela dizia que – “Temos que ensinar as crianças que a fonte da felicidade e da vida bem-sucedida é a paz dentro de nós, e não o dinheiro ou o poder”. Sim, num sentido absoluto ela tem razão. De fato, felicidade é um sentir-se bem por dentro, ser bem-sucedido na vida interior também concordo, depende só de nós. Porém... Sempre há um porém na vida. Se formos uma pessoa bem-sucedida por dentro, felizes com nós mesmos mas sem um centavo no bolso, os outros nos vão tomar por fracassados, vadios, o que for. O poder humano, uma tentação para a maioria, depende de dinheiro, ninguém tem poder sem dinheiro no bolso, no banco, ninguém. A sociedade, infelizmente, não nos avalia pelo “ser”, pelas boas intenções, pelo caráter reto, pela forma decente de viver, isso é para os fracos, diz a maioria. Ademais, para termos uma vida razoavelmente digna vamos ter que lutar pelo dinheiro, e nessa luta entramos em disputa com nossos “pares”, nossos iguais, que nem sempre são justos, corretos, dignos. Nos passam a perna, nos provocam, nos tiram do sério, e aí, como é que ficamos? Passivos? Claro que não, vamos à luta e ir à luta sem perder os cadernos, o equilíbrio interior, a paz, a felicidade, enfim, não é para qualquer um. Mas posso sim ser feliz, “desapegado”, lá no meio do mato, sem ninguém por perto. E você vai me dizer que isso é possível? Por fim, concordo, posso viver com pouco, o suficiente (mas o que é suficiente?), desapegado da luta frenética pelos bens materiais, mas viveria isolado, infelizmente. Nessa sociedade doente em que nascemos e vivemos, “ter” é o diferencial para o ser, lamentavelmente. De minha parte, gostaria de estar nessa da felicidade dos mais altos “desapegos”, andando apenas nas asas leves da felicidade do “ser”, porém como viver integrado na sociedade do consumo, dessa do precisar ter para poder ser? Se você achar a solução do impasse, por favor, comunique. Lembrança A propósito desse assunto anterior, no livro Os Cincos Maiores Arrependimentos à Beira da Morte, a autora – Brownie Ware – australiana assistente emocional de pacientes terminais lúcidos, conta que o arrependimento nº 1 é – “Não ter vivido a minha vida, mas a vida que os outros esperavam que eu vivesse”. Exatamente como a maioria de nós está a viver... pelos olhos e expectativas dos outros. Depois será tarde arrepender-se... Liberdade Dentro da lei e da decência moral, nossa liberdade humana é “infinita”. Será? Claro que não, mesmo diante de um universo de possibilidades, vivemos nos podando, nos limitando, muito, é claro, pelo que os outros vão pensar, mas que diachos, se estamos dentro da lei e da decência por que não avançar o sinal? Por medos. Medos de todo tipo. E para não arriscar críticas, ficamos por perto, quando podíamos ir quase ao infinito... Falta dizer Não se vive dizendo que – de grão em grão, a galinha enche o papo? Então, por que não dizemos aos jovens, em casa e na escola, que de tostão em tostão eles poderão ficar ricos? Quem começa cedo a dar valor ao dinheiro, cedo chegará à fartura. Cedo, eu disse...
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