Decisões passarão pelo plenário da Alesc | Foto Daniel Conzi/Agência AL
Decisões passarão pelo plenário da Alesc | Foto Daniel Conzi/Agência AL

O Plenário da Alesc aprovou nesta quinta-feira, 17, a abertura do processo de impeachment contra o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL) e da vice-governadora, Daniela Reinehr (sem partido). A votação separa e Moisés levou um voto a mais pelo impeachment. Foram 33 votos pelo prosseguimento do processo, 6 votos não e uma abstenção.

Em ambas as votações, o presidente Julio Garcia (PSD) se absteve. Marcius Machado (PL) votou pelo impeachment de Moisés, mas quis poupar Daniela.

O afastamento definitivo de Moisés e Reinehr depende, agora, dos votos de 2/3 dos tribunal misto que será formado com cinco deputados estaduais e cinco desembargadores do Tribunal de Justiça de Santa Catarina.

O tribunal misto tem cinco dias para ser instalado e outros 10 para decidir se aceita ou não o processo de impeachment para afastar do cargo Moisés e Reinehr. Caso sejam afastados, o presidente da Alesc, Julio Garcia, ocupará o cargo de governador em exercício no julgamento.

Se o impeachment for concluído em 2020, eleições diretas serão convocadas e o eleitor catarinense escolherá o próximo governador ou governadora do estado. Por outro lado, se o governo Moisés completar dois anos, o que ocorre em 1º de janeiro de 2021, o próximo governador será escolhido em eleição indireta, pelos 40 deputados estaduais.

 

Lenço

Os deputados Jessé Lopes e Sargento Lima fizeram graça com o discurso choroso da deputada Paulinha. Enquanto a deputada tremia a voz para falar do governo para o qual foi escolhida líder, Jesse jogou um lenço e Lima aproveitou para simular.

 

Presepada

Os deputados Felipe Estevão e Ana Campagnolo, ambos do mesmo PSL que elegeu o governador Carlos Moisés, preferiram pelo substantivo feminino “presepada” para se referir aos quase dois anos da gestão do atual governo. Com origem no latim praesepium – que significa curral, cercado onde se guardam animais –, a palavra é co-irmã do vocábulo “presépio”, que existe no português desde o século 14 com sentido religioso. No bom português, o que os deputados quiseram dizer é que em um ano e nove meses a gestão de Moisés não passou de um “espetáculo ridículo”, que é como o Houaiss define o termo.

 

Nem esquentou

O deputado estadual Cesar Valduga (PCdoB) não teve nem tempo de se aquecer no retorno à Alesc. Valduga não conseguiu se reeleger em 2018 e acabou na suplência de Rodrigo Minotto (PDT). Nesta quinta-feira, 17, entretanto, ele sentiu novamente o gostinho de ser parlamentar, pois o titular se licenciou da Alesc para disputar a prefeitura de Criciúma. O retorno foi em grande estilo, com todos os olhares voltados para Alesc, o deputado participou da sessão em Plenário que votou o impeachment de Carlos Moisés (PSL) e Daniela Reinehr (sem partido).

 

Bolsonaro

Apesar de nunca ter pisado na Alesc, o presidente Bolsonaro foi lembrado o tempo todo durante o processo de impeachment de Carlos Moisés. Os aliados do presidente chamaram o governo de traidor, que eleito pelo 17 abandonou as ideologias.

 

Palmas

O governador Carlos Moisés conseguiu levar uma tropa de choque para a Alesc que bateu palmas a cada manifestação favorável ao governo. A estratégia de levar “gente” para a casa do povo, mesmo em tempos de isolamento social, tentou dar um empurrão no sentido de mudar o voto daqueles que estavam com a causa fechada.

Vice-governadora acompanhou a sessão | Foto Fábio Queiroz/Agência AL

 

Não Gostou

Presente na sessão de impeachment, a vice-governadora Daniela Reinehr se mostrou irritada com a fala de Ivan Naatz. Jogou o celular no chão de indignação.

 

Histórico

Esta é a primeira vez que o plenário da Alesc aprova o impeachment de um governador. Agora cabe à comissão mista julgar.

 

Receba as notícias do OCP no seu aplicativo de mensagens favorito:

WhatsApp