Neste exato momento em que escrevo este texto, eu estou de férias em um Hotel Fazenda, descansando e aproveitando a vida com a minha família.

Na minha programação de férias, é claro que as minhas expectativas eram de trabalho zero, mas a realidade nem sempre condiz com aquilo que esperamos. Hoje, eu não falo isso como um fardo, mas, sim, como um ajuste da realidade e da responsabilidade que existe, quando precisamos e queremos dar conta do nosso trabalho.

O descanso é bom, é essencial e muito prazeroso. E é graças a um bom descanso que recarregamos a energia necessária de nos mantermos ativas e despertas à vida.

Não são somente nos momentos de férias que descansamos. É importante vivermos o ócio sempre que necessário e de preferência diariamente. O ócio é essa pausa que fazemos para fechar os olhos por 20min, assistir um episódio da série do momento, ler algumas páginas do seu livro preferido, ouvir uma música gostosa, dançar, cantar, tomar um café gostoso, passear no parque, sair com as amigas ...

Contudo, o ócio produtivo acontece quando liberamos nossa mente das cobranças e punições mentais que nos fazemos.

Quando entendemos a necessidade da pausa, como a manutenção da nossa máquina criativa, nos permitimos apreciar o momento do ócio e não mais olhar somente para o que estamos deixando de fazer.

Somos tão acostumadas a nos torturar mentalmente nos nossos breaks que a forma como nos tratamos passa bem longe da autocompaixão. Essa forma rude, ríspida e até punitiva só faz com que a nossa autoestima vá cada vez mais para o buraco.

Vamos aos exemplos:

Nossa, que preguiçosa, eu deveria estar arrumando a casa!

Tenho tanta coisa para fazer, mas só quero ficar aqui na TV.

Só me permito parar para descansar depois que acabar de fazer tudo o que eu tenho que fazer.

Talvez, ao ler essas frases, você tenha pensado que elas nem são assim tão ruins de se falar. Mas, eu quero aprofundar a reflexão em cada uma delas aqui.

Na primeira frase, estamos nos rotulando como preguiçosas. Os rótulos são julgamentos que generalizam e não nos fazem engrandecer, melhorar ou evoluir. Eles só rebaixam e condizem somente com aquele momento e única e exclusivamente sobre a sua forma de olhar e interpretar.

Quando agimos com autocompaixão, e tornamos o ócio produtivo, o pensamento vem mais ou menos assim: Vou aproveitar esses 30min de preguiça para não fazer nada e logo depois vou voltar a fazer as coisas do trabalho que quero resolver.

A segunda frase dos exemplos é um típico caso de procrastinação. Aqui tem uma dor nas entrelinhas que te impede de agir como adulta e com maturidade emocional de ir para ação. Ir para ação é se manter em movimento, é viver. Procrastinação é a sua resistência interna em amadurecer, em plantar e colher os frutos da sua vida.

Neste caso, a forma mais amorosa que temos de lidar com esta dor que nos impede de agir e de crescer, é fazendo psicoterapia. Buscar ajuda é sinal de que queremos e merecemos sair dessa.

A terceira frase vem nos mostrar que muitas vezes somos nossa pior líder. Nos sugamos ao extremo e exigimos de nós um alto rendimento contínuo. Quando chegamos neste momento, o ócio se faz cada dia mais necessário. Pequenas pausas garantem o excelente rendimento da criatividade e da performance.

Pausas são essenciais. Apreciar o ócio e torná-lo produtivo e não mais punitivo, te levará ao próximo degrau da jornada.

Um abraço,

Karine Becker Petelinkar

Psicoterapeuta e Mentora de Mulheres.

@karinebeckerpetelinkar

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