O tema Burnout tem sido muito falado neste último ano, e isso é maravilhoso justamente porque traz clareza e esclarecimento a um assunto tão importante. Cerca de 46% das mulheres estão sofrendo de Burnout. Sim, esse número é assustador! As mulheres são as mais afetadas, justamente pelas jornadas duplas e, às vezes, triplas que vivem. Essa realidade nada animadora nos convida a remar contra a maré, que nos conduz ao precipício. E foi pensando em como ajudar as mulheres a remar contra a maré que escrevi este texto, onde eu oriento de três formas a não chegar a esse esgotamento mental.

Gosto muito da frase “Rio, só é um rio, porque tem margem”. Não consigo me lembrar o autor, até pesquisei no "pai de todos" (Google) mas ele, incrivelmente, não soube me dizer a resposta. Enfim, vamos ao que interessa. Um rio, só é um rio porque tem margens. E uma mulher, só se constitui e amadurece, se colocar limites na sua vida. Mas, o que tem a ver limites com Burnout?

Essa é a forma número 1 – Desenvolver a habilidade de colocar limites na sua vida. Crie as suas margens e permita que a sua vida flua como as águas de um rio. Colocar limites não é fácil, requer autoconfiança, amor-próprio, ou seja, uma autoestima fortalecida. Mas comece da forma que você pode. Colocando os limites que você dá conta de sustentar.

Pare neste momento e analise a sua vida. Qual o basta que você consegue dar, com amor e compaixão, na sua vida hoje? Será que você está se dando em excesso? Por que está difícil dizer não ao outro quando ele te pede ajuda e você, mesmo sem poder ajudar, vai lá e ajuda? Se ferra inteira somente para que o outro pense bem de você. Se você se encaixa em alguma dessas situações é sinal de que você precisa colocar limites para deixar a sua vida, o seu trabalho e a sua energia fluir melhor.

A forma número 2 – Avaliar seu nível de energia. Imagina uma pessoa que está correndo pela primeira vez uma maratona. Os primeiros metros da corrida são de pura energia e empolgação. É natural que ela diminua o ritmo, até como estratégia para continuar a corrida e chegar ao final do percurso. Porém, quando o cansaço bate, chega um desânimo, um "eu não vou dar conta", isso não é para mim. Se a atleta alimentar esse sentimento, outros pensamentos chegarão, como: você não é boa o suficiente, não treinou como deveria, e muitos outros que a farão acreditar que ela não tem condições de continuar e que o que resta a fazer é desistir.

Agora, se essa pessoa buscar energia interna, entusiasmo e clareza sobre o seu percurso até o início da prova, os treinos que fez, o quanto se dedicou para estar ali, muito possivelmente, quando o cansaço bater em algum trecho da prova, ela irá se lembrar de tudo o que fez, de todo esforço envolvido e conseguirá deixar os pensamentos desanimadores silenciarem. A escolha é sua! A forma que você escolhe nutrir os seus pensamentos condicionará os sentimentos e as ações seguintes. Os teus pensamentos têm te levado para onde?

A terceira forma é tão importante quanto as duas primeiras. Estou falando de liberdade emocional. Esse descontentamento e exaustão que existem chegam porque fomos criadas para não olhar para as emoções. Olhar para elas é sinal de fraqueza e quem é forte mesmo ignora o que está sentindo e segue a vida. Ou vai me dizer que você não nunca pensou assim?

Outras situações em que nos deparamos com esse aprisionamento emocional é quando não nos permitimos falar, sentir e viver aquilo que sabemos que seria melhor para nós neste momento.
Pensamentos e falas do tipo: "Não posso sentir raiva, isso não é bom. O que ela vai dizer se me vir sentindo isso? Como ela vai reagir se eu falar isso para ela? Ela não aceitaria esse meu lado ou posicionamento". Nos aprisionar nos julgamentos reais e até imaginários dos outros nos sufocam e esses sufocamentos nos trazem a exaustão. Como sair dessa? Busque autoconhecimento. Se conheça melhor e se fortaleça de você! Autoconhecimento é o teu maior poder! Você pode e merece sair dessa!

Seguimos juntas!

Karine Becker
Psicóloga, Palestrante e Escritora
www.karinebecker.com.br