Os sentimentos estão presentes em nós e em nossa memória afetiva desde o início da nossa constituição. Vivenciamos alegrias, conquistas, dores, fracassos e frustrações. Todas nós já passamos por muitas experiências que queríamos esquecer, apagar da memória e da nossa vida. Mas, agora eu te pergunto: qual dessas dores foi mais forte, te incomodou mais, te feriu mais? Qual dessas dores te fez te perder de ti, levou a tua essência embora, a tua alegria de viver, o teu prazer e a tua esperança?

Parar uns minutos para conseguir responder essas perguntas, já é um importante passo que você está conseguindo dar para adquirir Inteligência emocional.

Desde pequenas aprendemos a não olhar e nem acolher as nossas emoções, principalmente aquelas mais difíceis. Nossos pais e pessoas próximas a nós não aprenderam e não davam conta de lidar com a dor do outro. Ouvir alguém chorar, mesmo que seja um bebê é sacrificante para muitas pessoas, mesmo entendendo racionalmente que o choro é a forma de comunicação do bebê e não necessariamente que ele está sentindo dor. O impulso que chega é, como eu vou dar um jeito de acabar com esta dor. Quando se é bebê vem a chupeta, de criança vem o engole esse choro, não foi nada, de adolescente vem o você não tem mais idade para isso, está fazendo papel de criança e depois de adulta então, o choro é visto como fraqueza, incapacidade e instabilidade emocional. Em consequência de todas essas experiências da vida, fomos entendendo que olhar para a dor é sinal de fraqueza e que forte mesmo é quem ignora a dor e segue o caminho, bloqueando e excluindo os sentimentos que chegam. Só que isso não é verdade e muito menos saudável.

Toda emoção que chega, vem para nos dizer algo. Quando conseguimos acolher, entender e transformar a nossa pior dor em força, dando um novo significado para essa dor, ela se torna uma luz que nos mostra o caminho de volta para casa.

Quando você faz uma retrospectiva da sua vida, da sua infância até o dia de hoje, você percebe que as suas histórias de vida tiram o teu poder ou elas te empoderam?

Vale lembrar que essa é somente a tua percepção e a tua escolha frente aos fatos da tua vida. Somos nós que damos a força ou que enfraquecemos a nossa experiência de vida.

"Eu não sou o que me aconteceu. Eu sou o que escolho me tornar.” Carl Gustav Jung

A beleza está no foco que damos ao o que aconteceu. Quando conseguimos encontrar a riqueza, o encantamento e a aprendizagem do que aconteceu, saímos da postura de vítima da nossa história e amaduremos emocionalmente, valorizando o nosso poder interior.

Não é fácil, nem simples. Mas é possível e muito necessário para se viver bem.

Seguimos juntas!

Karine Becker Petelinkar

Psicóloga e Mentora de Mulheres

@karinebecker.psi