Por Walter Janssen Neto - proprietário Rede OCP de Comunicação

A cada dia aumentam as filas de pessoas que atuavam como autônomos e que perderam seu ganha pão e agora buscam os R$ 600 do auxílio emergencial para comprar um “bocado” de comida. Em outra ponta, empresas e trabalhadores acordam redução de salários, de jornada e suspensão temporária de contratos tendo de andar na “corda bamba” da economia afetada pela pandemia mundial do coronavírus.

Alheia a tudo isso, uma parcela seleta, a do funcionalismo público e classe política, historicamente beneficiada por regalias, estabilidade e barganhas, vê o Brasil quebrar como se não fizesse parte dele.

E para chacotear ainda mais com a população, o que se discute agora pelo governo é o congelamento dos salários dos servidores por um ano e meio. Como se fosse uma grande ação para equilibrar a economia tão fragilizada neste momento.

A medida proposta pelo governo em contrapartida ao pacote de ajuda a estados e municípios - que perderam arrecadação nesta crise, é que esse congelamento dos salários de servidores públicos possa segurar o crescimento da folha que fica entre 7% e 8% por ano.

A alegação é a de que ao deixar de repassar um reajuste para mais de 10 milhões de servidores seria gerada uma economia de R$ 100 bilhões em 18 meses, mas não se aponta neste momento que a despesa com os servidores chega a mais de R$ 900 bilhões nas três esferas de governo.

Mais uma vez temos uma balança que não é nada equilibrada e pende só para um dos lados. A maioria da população continua pagando impostos que vão para a folha dos servidores e dos políticos que são a segunda maior despesa dos governos junto com as aposentadorias deste mesmo funcionalismo e, neste momento, a contrapartida não aparece.

Só congelar salários, já muito maiores do que a iniciativa privada, que sempre paga o pato a cada crise que afeta o Brasil, não é e nunca será justo. E aqui vale ressaltar não se está pedindo para tirar de quem faz seu trabalho de servir diretamente a comunidade como se pode citar o exemplo dos servidores da saúde e outras áreas que atuam no enfrentamento da pandemia.

É importante deixar claro que principalmente os políticos e os cargos de alto escalão que precisam dar sua contribuição, não dão. Atualmente o Brasil tem cerca de 70 mil políticos eleitos de presidente, senadores, governadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos a vereadores.

Só para exemplificar: uma câmara de deputados federais e um senado, 27 assembleias legislativas e 5.564 câmaras de vereadores têm um custo total por ano que passa dos R$ 30 bilhões. Além disso, o Brasil tem o segundo Congresso Nacional mais caro do mundo, ficando atrás só dos Estados Unidos.

Nenhum segmento no País, a não ser a classe política, pode aprovar o reajuste do próprio salário, a maioria das vezes, independente do valor que a inflação subiu no ano. Cabe inclusive a reflexão de que se o salário de um político fosse igual a de um professor ou de um enfermeiro, será que haveriam milhares de candidatos concorrendo a cada eleição?

E se eles têm o poder na mão, quando vão começar a cortar seus próprios salários e regalarias, que não são poucas. Afinal quem mero mortal, tem auxílio gravata, hospedagem e gasolina à vontade e uma equipe inchada de assessores para comparecer muitas vezes duas por semana em Brasília?

O Brasil só vai ser justo quando a mesma navalha que corta na carne de um, cortar a carne de outro.

Uma reflexão para este Dia do Trabalho.

 

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