Ecos dominicais – Claudio Prisco Paraíso

Por: Claudio Prisco Paraíso

28/02/2024 - 06:02

 

Ainda repercute, e não poderia ser diferente, a gigantesca manifestação popular de domingo na principal avenida brasileira, a Paulista. E repercutirá por muito tempo ainda. Segundo a PM, 750 mil pessoas foram ao coração da maior cidade da América Latina. Os organizadores, considerando o público nas transversais, estimam que pode ter chegado a 1 milhão de presentes. Mas vamos abstrair a dimensão de público e apreciar a questão do ativo político, indiscutível, de Jair Bolsonaro.

Quem hoje no Brasil reúne, ou arrasta, de maneira tão expressiva, populares quanto o ex-presidente? Ninguém. Simples assim. Lula da Silva, desde que deixou a prisão, depois de 580 dias de detenção na Polícia Federal em Curitiba no embalo das condenações por corrupção, que envolveram nove juízes em três instâncias diferentes, vive enclausurado. Suas condenações, aliás, foram respaldadas pelo próprio STF. Depois, as supremas togas mudaram de ideia. Assim funciona a justiça para os crimes de colarinho branco neste país.

 

Impedimento

Desde que foi libertado e teve os direitos políticos restabelecidos, não presenciamos sequer uma aparição de Lula da Silva na rua, em ambiente livre.

 

Cerco

Na campanha, só comícios em cercadinhos e cercadões. Ir ao restaurante, cinema, teatro, enfim, o petista não vai. Não pode.

 

Atravessada

Tanto é assim que o presidente, ao ser indagado por uma jornalista sobre o evento de domingo – a profissional recebeu vaias dos coleguinhas militantes – Lula da Silva não respondeu. Visivelmente constrangido e incomodado.

 

Musculatura

Claro. O seu principal adversário, que teria sido derrotado por ele nas urnas em 2022, conseguiu uma façanha jamais vista.

 

Golpistas

Coisa que o PT e seu líder supremo não fazem há muito tempo. Nas eleições deste ano, o líder canhoto não passará de um cabo eleitoral do prejuízo. Onde ele aparecer será pá-de-cal, caixão.

 

Exceção

E no Nordeste, onde ele venceu Bolsonaro? Só na Bahia, ele abriu 3 milhões de votos. A suposta vitória do petista em 2022 foi de 2,1 milhões de sufrágios no cômputo geral. Nessa região, em cidades muito bem localizadas, o petista ainda poderá ter êxito, ajudando na eleição de correligionários ou de aliados. E só.

 

Murchinho

Porque nem no Nordeste Lula está com essa bola toda. Ainda mais depois da declaração cretina, asquerosa e criminosa dele, comparando a ação de Israel contra os terroristas do Hamas ao holocausto.

 

Adeus, querido

Essa vergonhosa posição do petista inviabiliza qualquer possibilidade de Guilherme Boulos, o líder de invasões a propriedades privadas, filiado ao PSOL, conquistar a prefeitura da maior cidade do país.

 

Se permitirem

Já Bolsonaro vai viajar pelo país como cabo eleitoral do benefício. Santa Catarina, até pelas expressivas vitórias, esmagadoras na verdade, do ex-presidente por aqui, terá atenção especial do líder conservador.

 

Intimidade

Por falar em SC, chamou a atenção a presença de Jorginho Mello no pequeno palanque onde Bolsonaro e os organizadores do evento de domingo discursaram. Outro espaço era dedicado, no trio elétrico, a deputados federais, senadores e lideranças.

 

Máscara

Dois registros. Jorge Goetten é o único deputado federal do PL catarinense – são seis no total – que não assinou o pedido de impeachment de Lula da Silva.

 

Persona non grata

Ele subiu apenas no trio elétrico do PL. A pulseirinha era diferente. No trio elétrico de Bolsonaro, Goetten foi barrado.

 

Claudicante

Em contraste, Ricardo Guidi, deputado federal licenciado e secretário do Meio Ambiente e Economia Verde, dormiu de toca. Não marcou presença.

 

Voando

Quem lá esteve foi o secretário de governo da prefeitura de Criciúma, Arleu da Silveira. Que garantiu uma foto ao lado de Bolsonaro. Tudo na presença da deputada federal Júlia Zanatta, que pelo visto já deixou o primo Guidi pelo caminho. Arleu é o candidato ungido pelo prefeito criciumense.

 

Vice

O marido dela é cotado para ser vice, pelo PL, na chapa liderada por Arleu, do PSD, mesmo partido de Ricardo Guidi que, ao não se posicionar, vai perdendo espaço. Nesse ritmo, ele tem tudo para ser atropelado por Arleu e por Clésio Salvaro na maior cidade do Sul.