Em virtude das diferenças biológicas e de rotina, é necessário que o planejamento dietético seja feito de forma individualizada | Foto Divulgação/Pexels
Em virtude das diferenças biológicas e de rotina, é necessário que o planejamento dietético seja feito de forma individualizada | Foto Divulgação/Pexels

Essa é a pergunta que eu mais ouço. O que eu posso comer para não engordar? Qual é o alimento que emagrece?

Sinto dizer, mas isso não existe. Nenhum alimento engorda e nenhum alimento emagrece. Tudo depende da quantidade ingerida, do modo de preparo, da individualidade biológica, do processo de absorção pelo organismo, do funcionamento do metabolismo, da função pela qual tal alimento foi consumido. Enfim, são inúmeros fatores que interferem nesse processo.

Talvez se as pessoas buscassem saber mais sobre as propriedades e benefícios dos alimentos, estariam menos preocupadas com a balança. Isso porque, a partir do momento que você tem consciência do que está consumindo, passa a ter uma boa relação com a alimentação.

É claro que alguns alimentos apresentam uma densidade calórica maior ou menor, mas dependendo do quanto você consumir, e se esse consumo estará ou não associado ao consumo de outro alimento, não irá interferir no processo de ganho ou redução de peso. Por isso, toda dieta precisa ser individualizada.

Cada pessoa tem uma rotina diferente. Um planejamento dietético envolve questões como o horário e local de trabalho, a prática de exercícios físicos, as horas e qualidade do sono, o ambiente familiar, a convivência com outras pessoas, fazer refeições dentro ou fora de casa, saber e/ou gostar de cozinhar, fatores genéticos, doenças associadas, preferências alimentares, religião, culturas e tradições, hormônios, exames laboratoriais, composição corporal, idade e gênero. Estes são apenas alguns exemplos do que é necessário saber para “calcular” uma dieta.

Por isso, é complexo responder a perguntas do tipo “o que engorda ou não”. Você pode ter certeza que o consumo de uma mesma dieta para indivíduos diferentes apresentará resultados distintos.

Uma informação que pode ajudar é você prestar atenção no seu corpo, no que ele está pedindo. Saber diferenciar a fome da vontade de comer. Listar objetivos palpáveis e traçar metas para cada um deles. Não adianta tentar resolver tudo de uma vez, muito menos sair por aí excluindo tudo o que os outros dizem que faz mal.

Os alimentos são fonte de energia, prazer e nutrição. A nossa alimentação deve ser a mais natural possível, ou seja, quanto menos processamento, melhor! Que a base da nossa alimentação seja composta por alimentos provenientes da natureza (animais e plantas), ou seja, aqueles que não sofreram, ou sofreram o mínimo de interferência humana e/ou de máquinas.

E, quando possível, que seja orgânico (isento de agrotóxicos) e compatível com a sustentabilidade. Vivemos um momento muito frágil na área da nutrição. Pseudocientistas, terrorismo nutricional e modismos que são divulgados e disseminados para a população nas redes sociais. Precisamos estar atentos, atualizados e informados a respeito do que é ou não verdade nas atuais contradições da trajetória da alimentação e nutrição.