Leonel Brizola, nascido Leonel Itagiba de Moura Brizola, o gaúcho de Carazinho (RS) que governou o Rio de Janeiro e que ficou marcado por ter tido uma vitória judicial contra a Rede Globo (com direito de resposta e tudo), possui uma história política e tanto.

Fundador do PTB (Partido trabalhista Brasileiro) jovem pelos idos de 1945, enveredou-se pela política e em 1947 foi eleito Deputado Estadual.

Em 1954 foi diplomado como Deputado Federal com uma votação recorde.

Em seguida foi prefeito de Porto Alegre (1956) e Governador do Rio Grande do Sul em 1958.

Em 1962 transferiu domicílio para o Estado da Guanabara e foi eleito Deputado Federal.

Em 1979 voltou de um exílio de 15 anos no Uruguai e fundou o PDT – Partido Democrático Trabalhista.

Em 1982 foi eleito Governador do Rio de Janeiro.

Em tantas lides políticas, Brizola cunhou muitas frases, mas uma delas foi marcante e cai como uma luva para os dias atuais. Disse o seguinte:

“A política ama a traição, mas abomina o traidor”.

PROVA CABAL

As palavras de Brizola estavam certíssimas e foram ditas há 40 anos.

No domingo passado, o bom entendedor ouvia o eco da citação e alguns na própria pele.

Foram os casos de pseudos-políticos, como: Joice Hasselmann, Alexandre Frota, Soraya Tronick e mais alguns de baixa cotação.

Eles possuem algo em comum: em 2018, todos eles posaram como “candidatos de Bolsonaro”.

Vencido o pleito e com votações expressivas, os traidores mostraram a verdadeira face.

O resultado? Antes da revelação, volte à frase de Brizola e a leia vagarosamente, quase saboreando-a.

Releu?

Agora veja os resultados:

Joice Hasselmann que foi eleita pelo PSL, mudou para o PSDB e foi candidata à reeleição: perdeu 1.000.000 (Um milhão de votos) e recebeu míseros 13.679 votos.
Alexandre Frota que foi eleito com mais de 150 mil votos, agora tentou a Assembleia Legislativa de São e recebeu 24.224 votos.

Aqui em Santa Catarina, a frase de Brizola “vestiu como uma luva” para o Governador Carlos Moisés.

Era um ignoto oficial bombeiro militar e viu a eleição cair no colo, uma espécie de mimo, um presente por ter posado como “o candidato do Bolsonaro”.

Logo em seguida, os rumos foram mudados e Moisés se tornou “quase adversário”.

Até seria “real adversário”, caso vencesse as eleições de 2022.

Não foi sequer ao segundo turno.

ELEITOR NÃO ESQUECE

A frase de Brizola sofreu alterações e eu mesmo, produzi uma delas:

“Em política há a possibilidade de se esquecer uma traição, mas o traidor, nunca”.

Foi assim que o eleitorado viu os traidores: inesquecíveis.

Foram transformados em pessoas inconfiáveis (por escolha deles), portanto, não mereceram o voto.

FINALIZAR COM BRIZOLA

E já que iniciamos a coluna com o “velho caudilho”, vamos encerrar com ele.

No livro :Do bestial ao genial: frases da política" dos autores Paulo e André Buchsbaum, lançado em 2006, tiramos mais uma pérola de Brizola:

“Estou pensando em criar um vergonhodromo para políticos sem-vergonha, que ao verem a chance de chegar ao poder esquecem os compromissos com o povo”.