O Comitê Gestor do Plano de Prevenção e Contingenciamento em Saúde do Covid-19 formado em 17 de março em Jaraguá do Sul tem realizado um trabalho conjunto com diversas entidades representativas do município para controlar o contágio do coronavírus, promover a prevenção e minimizar os muitos impactos entre a população.

Em entrevista para a Coluna, a presidente do Comitê Emanuela Wolff fala sobre as ações realizadas até o momento e a expectativa sobre as medidas de controle da doença e a retomada gradativa da economia em Jaraguá.

Confira:

- Passado mais de um mês da formação do Comitê Gestor do Plano de Prevenção e Contingenciamento em Saúde do Covid-19, qual a sua avaliação do trabalho desenvolvido no município?

Tem sido um grande desafio. Ninguém tinha como prever que passaríamos por isso, o mundo todo foi pego de surpresa. Não tem cartilha pronta. A visão do prefeito Antídio Lunelli, porém, de que é preciso ter ações conjuntas, ouvindo diferentes setores, nos ajudou muito. Sabíamos que esse seria o melhor caminho. Então unimos representantes do poder público, com grande participação da Saúde, e representantes de entidades que sempre tiveram papel fundamental em Jaraguá do Sul, como Polícia Militar, Polícia Civil, Associação Empresarial, OAB, Câmara de Dirigentes Lojistas, Ministério Público e Câmara de Vereadores, para que juntos a gente trace os principais objetivos. O trabalho tem sido espetacular. Estão todos se doando ao máximo. É o espírito do voluntariado e da participação que fazem de Jaraguá do Sul uma cidade especial e nessas horas se revelam com ainda mais força.

- Quais ações você destaca que foram tomadas pelo comitê e que trouxeram bons resultados no enfrentamento desta pandemia?

A principal ação é o planejamento que traçamos dentro de cada cenário que poderá vir pela frente. Elaboramos um Relatório de Ações Articuladas, documento que faz um raio-x de toda a situação, desde a estrutura da saúde pública em Jaraguá do Sul, o número de leitos nos hospitais, as médias de internação por problemas respiratórios, os protocolos de atendimento adotados, o impacto econômico, as demandas, enfim, tudo o que envolve. Com isso, sabemos o que pode acontecer e sabemos qual será a decisão a ser tomada em cada caso. Isso dá segurança para população e um norte ao nosso trabalho.

- Como são tomadas as decisões do comitê e de que forma seus integrantes participam?

Nos reunimos todas as manhãs, incluindo sábado e domingo, por videoconferência. Analisamos os números, todas as informações e listamos ações que podem ser tomadas. Dentro da Prefeitura, a palavra final é do prefeito Antídio Lunelli, que com todos os dados define qual é o melhor caminho. Lembrando que temos restrições legais que precisam ser respeitadas.

- Como organizar o planejamento das próximas ações do Comitê referentes a saúde e a economia do município, se o quadro da doença e as decisões governamentais mudam constantemente?

Temos os cenários possíveis e as decisões a serem tomadas já mapeadas. O que pode acontecer e qual será a decisão para, por exemplo, o possível agravamento da crise. O prefeito tem dito desde o início que é preciso preservar a saúde das pessoas, mas que não se pode esquecer que o desemprego e a miséria também podem matar. Então temos isso em mente. Buscamos equilíbrio e ações inteligentes. O que foge do nosso controle são as decisões que dependem do Estado e da União e que pegam a todos de surpresa porque não há diálogo.

- Qual é a perspectiva do Comitê para o município agora com a retomada de serviços e setores da economia?

Até agora temos tido bastante êxito porque temos nos comunicado com clareza e transparência com a população que, por sua vez, tem respondido muito bem. O uso das máscaras, por exemplo, a comunidade provou mais uma vez a sua disciplina e o seu engajamento. Nosso objetivo é conciliar proteção à saúde com proteção à economia. Não tem saída fácil para essa crise, o desafio tem sido encontrar soluções inteligentes.

Já no dia 26 de março enviamos um ofício ao governador Carlos Moisés pedindo a flexibilização do isolamento porque conhecemos a nossa realidade. Aumentamos a estrutura de saúde, repassamos verba para o aumento do número de leitos nas UTI’s dos hospitais. Diversos empresários fizeram doações relevantes. Com a abertura do comércio, e agora dos restaurantes, criamos nossas próprias regras de prevenção e fiscalização. Sabemos que a crise ainda não acabou, mas estamos trabalhando para passar por ela da forma menos traumática possível.

O nosso mantra tem sido: juntos podemos vencer essa batalha. Porque as pessoas estão entendendo que elas também são responsáveis pelo combate.

 

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