O deputado federal Carlos Chiodini (MDB) foi eleito esta semana presidente da Comissão de Viação e Transportes. Ele é o único deputado catarinense à frente de uma comissão na Câmara Federal.

Em entrevista à Coluna, Chiodini comenta que dará atenção especial para a duplicação da BR-280 entre Jaraguá e São Francisco, fala sobre a discussão atual de privatização ou concessão dos portos e das demandas de mobilidade.

Confira a entrevista:

Como o senhor encara esse desafio de presidir a Comissão de Viação e Transportes que abrange a infraestrutura, setor que tem inúmeras demandas em Santa Catarina e no Brasil?

É uma oportunidade única e importante, a gente conseguir já no primeiro mandato ser presidente de uma comissão de destaque, como a Comissão de Viação e Transportes.

Nesta comissão vamos discutir todas as questões nacionais de infraestrutura dos modais portuário, rodoviário e aeroviário, além da mobilidade urbana dos municípios, enfim todos os assuntos que nos deparamos todo dia. Temos muitas demandas e a falta de investimentos nestas áreas no Brasil é latente, e SC em especial, tem muitas demandas quando o assunto é infraestrutura, principalmente nas rodovias.

O Estado cresceu muito economicamente e nossas rodovias ficaram para trás. É inadmissível que até hoje a BR-280 não esteja duplicada, que 470 não esteja duplicada e que a BR-153 esteja com as obras paradas no Oeste.

Então vamos tratar com muita determinação as pautas de SC, que são investimentos para o estado brasileiro. Se o governo colocar recursos nestas obras, elas vão se pagar trazendo desenvolvimento e emprego.

A duplicação da BR-280 é uma das obras mais importantes e necessárias para o Norte do Estado, principalmente para Jaraguá e região. Como o senhor vai defender na Comissão essa obra que caminha a passos lentos?

A duplicação da BR-280, sem dúvida é a obra mais importante para SC e para a região de Jaraguá, Guaramirim, Araquari e São Francisco. Muitas vezes para ir de Jaraguá para São Francisco demora-se horas em filas intermináveis, porque é um destino turístico com grande potencial, mas também ali se encontra um dos principais portos do País, quando o assunto é carga geral e grãos. Então temos que forçar maiores investimentos na duplicação da BR-280.

A gente vê nos últimos anos um quadro muito ruim no que tange à rodovia. Ano passado os deputados federais aqui do Norte colocaram recursos para suplementar o orçamento, mas na peça orçamentária de 2021 está a metade dos recursos que já foram aplicados na BR-280 em 2018.

Estamos indo para trás, isso é inadmissível. Santa Catarina precisa de mais respeito. O presidente Bolsonaro conhece a região. Ele está frequentemente em São Francisco e sabe que colocando recursos aqui, a nossa economia vai se desenvolver e vai pagar rapidamente o retorno ao governo brasileiro nesta obra.

Então, vamos procurar o ministro da Infraestrutura Tarcísio [Freitas] e a presidência do Dnit e vamos tratar especialmente da 280 como uma obra estruturante e importantíssima para o Estado.

E os outros setores da infraestrutura como os portos? Aqui na região, temos o porto de São Francisco, será dada atenção a este que é um dos principais terminais portuários do Estado?

A questão dos portos é um grande rotor da economia catarinense e nós estamos justamente num ano de muita discussão. Há uma possível concessão ou privatização na mesa a ser discutida sobre os portos de São Francisco, Itajaí e Imbituba, três importantes terminais catarinenses.

Vamos buscar formas que garantam o desenvolvimento regional, com a participação da sociedade local e o ganho dos municípios e também a maior produtividade dos terminais.

Vamos levar ao ministro, à Secretaria Especial de Portos, um pedido de atenção especial ao Porto de São Francisco ao qual eu também tenho conhecimento por já ter sido diretor durante dois anos, então conheço o dia a dia do porto e sei das suas potencialidades sendo que esse assunto será discutido por todos nós, membros da Comissão e da sociedade organizada de SC.

Quais os projetos polêmicos que aguardam discussão na Comissão?

São mais de 90 projetos que aguardam discussão na comissão. Estamos elencando todos eles e alguns são mais polêmicos como a lei que regulamenta a praticagem nos portos brasileiros. E vários projetos de lei que fazem a previsão dos aplicativos de mobilidade como por exemplo o Uber, Buser e outros que estão sendo usados frequentemente.

E além disso, também a questão das bagagens nas viagens aéreas, se o passageiro paga mais ou não paga. Todas estas questões também de relacionamento de consumo com o transporte e mobilidade fazem parte do dia a dia da Comissão de Viação e Transportes.