O dia de ontem foi agitado no cenário político de Santa Catarina. Pela manhã, de 30 em 30 minutos, um presidenciável chegava ao Congresso dos Prefeitos, da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), para a exposição de suas principais plataformas (leia o resumo abaixo e mais informações em scportais.com.br).

Do CentroSul, sede do evento, em Florianópolis, Geraldo Alckmin (PSDB) saiu para o almoço do Grupo de Líderes Empresariais (LIDE-SC), na Federação das Indústrias (Fiesc), e foi recebido por empresários e pelo governador Eduardo Moreira, que ainda sonha com uma aliança entre o seu MDB e os tucanos. Estavam lá também o ex-governador Raimundo Colombo, pré-candidato ao Senado, e o deputado Gelson Merisio (PSD), que da mesma forma vê o PSDB como um potencial coligado no caminho para o governo do Estado (Foto 1).

Moreira saiu da Fiesc e foi para a Assembleia Legislativa, onde Henrique Meirelles, presidenciável pelo MDB, participou de um encontro com os deputados estaduais do partido (Foto 2). Mas o governador não encontrou Meirelles. Seguiu para Itajaí a fim de acompanhar a missa de corpo presente e o sepultamento do ex-governador Konder Reis, falecido na terça-feira (12). Merisio, por sua vez, saiu do almoço do LIDE para um grande evento de lançamento da pré-candidatura de Manoel Dias como deputado federal pelo PDT.

O ato foi prestigiado pela Executiva nacional dos trabalhistas, candidatos aos governos de outros estados e por Ciro Gomes, pré-candidato à presidência da República pela sigla (Foto 3). A polarização entre o PSD de Merisio e o MDB de Moreira para as próximas eleições explicam os movimentos dos dois ao longo do dia de ontem, acompanhando o máximo de agendas. O senador Paulo Bauer, pré-candidato ao Executivo estadual pelo PSDB, agiu de modo diferente e manteve-se durante todo o dia em seu próprio ninho, acompanhando Alckmin, líder dos tucanos.

Geraldo Alckmin (PSDB) - ”Já fui prefeito da minha cidade natal, Pindamonhangaba (SP), e fico triste quando ligo a TV e se houve o dia inteiro Brasília, Brasília, Brasília! Isso não funciona em um país continental como o nosso. Precisamos ter coragem de descentralizar, firmando um novo pacto federativo. Mas se o Brasil não crescer, não vai ter recurso para ninguém, nem Município, nem Estado, nem União.”

João Amoêdo (Novo) - “Ninguém melhor do que os prefeitos, que estão próximos dos cidadãos, para saber aplicar bem os recursos públicos. É preciso tirar poder de Brasília e trazer para as cidades. Para isso é preciso equilibrar as contas do governo federal, o que exige a efetivação da reforma da previdência e o controle de mordomias. Temos um Congresso que custa R$ 29 milhões por dia.”

João Goulart Fº (PPL) - “Temos uma proposta de nacional desenvolvimentismo baseada na interrupção da drenagem de recursos que temos no orçamento para o mercado financeiro. Vivemos um momento em que o país está sendo entregue aos grandes oligopólios, grandes multinacionais. Estamos perdendo nossa soberania e nossa esperança. É preciso devolver o país a quem realmente ele pertence: a todos os brasileiros.”

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - (Carta lida pelo dirigente Emídio de Souza) “Os prefeitos de Santa Catarina, como os do país inteiro, sabem comparar o que foi o período Lula à frente do governo, de expansão dos serviços públicos. E, mesmo que não haja renovação, o Lula tem uma habilidade imensa para lidar com o Congresso e aprovar matérias do interesse do país.”
Aldo Rebelo (SOL) - “Se o Brasil precisa voltar a crescer. E o Brasil não vai crescer em Brasília. Lá só cresce a despesa. A economia cresce é nos municípios, onde se geram empregos, divisas, renda, tributos. Não podemos nos impressionar com as dificuldades. Temos que ter propostas para resolvê-las, com coragem e com um governo forte. Governo fraco vai fracassar, como está fracassando esse (Michel Temer).

Henrique Meirelles (MDB) - “Nós temos uma história de sucesso a mostrar. O Brasil estava na maior recessão da história e o país voltou a crescer. No momento em que as pessoas tomem conhecimento do que de fato foi feito, como ministro da Fazenda e como presidente do Banco Central. Precisamos fazer com que os efeitos da melhora da economia se reflitam para a população, o que ainda não ocorreu.”

Flávio Rocha (PRB) - “Venho aqui propor uma grande frente, de cidadãos e municípios, para fazermos uma cirurgia de grande porte no Estado brasileiro, com ou sem anestesia. Vamos reinserir o Brasil nos trilhos do desenvolvimento. Temos perdido competitividade pelo peso desmesurado do Estado brasileiro e pelo cerco asfixiante de burocracia. Vim trazer os ensinamentos que um varejista aprende.”

Ciro Gomes (PDT) - “Vim ao Congresso para apresentar aos prefeitos de Santa Catarina o rabisco de um projeto nacional de desenvolvimento, a ser melhorado por esse processo de participação que abrimos. Tentamos responder duas perguntas: o que aconteceu com o Brasil para chegarmos na situação de tanta crise? E como fazer para virar esse jogo? Isso passa pelo novo pacto federativo.”