2022 começou...

A pandemia ainda se mostra presente, tirando nosso sossego em alguns momentos. No entanto, preferimos seguir e tentar lidar com esse vírus cara a cara, diariamente, vencendo as batalhas diárias. Há algumas semanas, venho refletindo... quais seriam as coisas mais valiosas em nossas vidas? E acredito que elas não tenham preço. Porém, em conversa entre amigos, um deles me disse que "tudo na vida tem preço!". Essa fala me intrigou e me deixou pensativa...

A vida adulta desromantiza um pouco a ideia da “vida é bela”, uma vez que se precifica “quase tudo” nesta existência. Haja dindim! Aliás, estávamos conversando e minha manicure soltou essa: “a gente paga pra nascer e morrer nesta vida”! Tudo conspirando com minhas reflexões nas semanas em que me questionava.... Mas nem sempre foi assim.

Nossos ancestrais viviam em tribos nas quais a troca era uma forma de cada grupo demonstrar seu valor para a comunidade, sem ganho pessoal específico: uns caçavam, outros cuidavam da agricultura (geralmente grupos), outras da casa e assim por diante. No decorrer do tempo, começou-se outro processo de troca e “precificação” das coisas. Um quilo de carne valia o equivalente a três de arroz, por exemplo. Desse modo, com o passar dos anos, criaram-se os mercados e as moedas. A partir disso, já temos ciência da história...

A sociedade precisa dar valor a algo; comparando e medindo “quase tudo” ao “valor de mercado” – precifica-se tanto um saco de açúcar, arroz, feijão; quanto uma hora de trabalho na empresa, no consultório médico, na massagem, na terapia. É assim. E não estou fazendo julgamento de valor. É assim. Afinal, há empenho financeiro, físico e psíquico atrás de cada produto e/ou serviço, concordam?

Todavia, creio na existência de coisas valiosas – que não podem ser precificadas. Portanto, vamos ousar experimentar a Vida sob a ótica dos milagres? Na minha opinião, os milagres acontecem, pois se não fosse assim, este vocábulo não existiria! O Milagre da Vida se revela a cada parto, a cada aroma marcante, a cada vida não ceifada, embora o diagnóstico fosse péssimo, a cada flor que abre, a cada sol que surge... E será que esse encanto pelo milagre da vida permanece quanto tempo ativo na consciência de cada um de nós?

Os momentos especiais com quem amamos, o dom de um artista, a melodia de uma música que toca na alma e arrepia, o sabor da infância, o acordar com saúde, o amanhecer e o entardecer são exemplos de pequenas manifestações que “não têm preço!”.

Talvez, em nosso anseio por “ter”, possamos nos confundir, acumulando “coisas” que custam muito, mas “não, necessariamente, valham muito”. A vida fica mais rica e valiosa quando percebemos a diferença entre “dar valor às coisas sem preço”.

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