O dia reiniciava lindo! O sol nascendo, o céu azul e o cantarolar dos pássaros a alegrar a manhã da mãe – que atenta à natureza amamentava a bebê às 6 horas da manhã e orava, agradecendo a Deus a dádiva da vida de todos.

O pai dormia ferrado. O mano no quarto nem se mexia... e a mãe?! Ah, essa já estava com os pensamentos a mil: vou preparar o café, botar a roupa para lavar, acordar a família para caminhar... e o almoço?! Vou tirar alcatra e fazer um picadinho com feijão, arroz, farofa, salada e suco de limão com gengibre para fortalecer a imunidade de todos, nesta época de pandemia.

O celular pisca. Mensagens de WhatsApp chegando... entre as mensagens de “bom dia” chegam também as de trabalho. E a cabeça da mãe continua a funcionar – incluindo os assuntos profissionais também. Ela olha no relógio e se dá conta de que já são 6:40 horas, está apurada e precisa colocar a água do café para ferver. Bebê amolece e dorme de novo.

Se estica na cama, no meio do papai e da mamãe, girando 180°C e ocupando a cama na posição lateral (e não vertical), quase que empurrando os pais (nessa fase crianças são bem individualistas e as mamães amam tudo: até o olho remelento!). Cutuca o pai. Ele resmunga, mas continua estático.

Amor – diz. “Bom dia! Vamos levantar?”

Os dois se levantam... Papai vai em direção à tv. Liga. Senta no sofá. E fica.
Mamãe vai ao banheiro. Se olha: – Meu Deus, que olheira! Lava o rosto, passa creme facial, escova os dentes e ruma à cozinha. Ralha com o marido que ainda não botou a água a ferver e ele, pacientemente, vai ao fogão e age. Os dois conversam, tomam o café e o choro do bebê os chama... Bebê acorda. Quer colo. Atenção... Papai chama o outro filho pela terceira vez. Mamãe amamenta novamente. O relógio marca 8:30 horas.

– Vamos caminhar? Diz a mamãe. Arrumem-se enquanto eu estendo a roupa, troco a fralda, arrumo a bebê e tiro a louça da mesa. Papai arruma o café do filho. Ele toma e, aos poucos, todos se ajeitam para caminhar... 9 horas. Mamãe termina a listinha. Lembra-se de tirar a carne. Então, se arruma e diz: – vamos? Não esqueçam da máscara!
Família toda reunida. Pronta para passear em época de pandemia.

– Cuidado, guri! – diz a mãe. Não se encosta no elevador! Está cheio de vírus! Eu já não avisei...

– Olha isso, papai?! De novo apertando o elevador com o dedo... já falamos que é para usar o cotovelo! Ligeiro, passa esse álcool em gel e vê se não faz isso de novo!

Dia lindo. Passeio externo. Liberdade controlada, máscaras abafando, mas a família segue buscando a harmonia e o aconchego para as crianças. Mamãe olha amorosamente para o filho que anda livre com sua bicicleta e sorri por trás da máscara...

A bebê fala, ri com a boca e os olhos explorando o mundo fascinada (a mãe se culpa: pecado, já está andando e não posso “soltá-la” na rua por causa do coronavírus)! Se todos pudessem ter acesso ao coração de mãe! Tanto amor e, ao mesmo tempo, tanto temor...

Quase 10 horas. Pessoal, vamos? – diz a mãe.

O filho já indaga:

– Mamãe, depois da minha atividade de aula posso jogar videogame?

Querido, não sei se dará tempo.

– Ah, mamãe, que chato. Eu não fiz nada hoje. Não posso fazer nada! Nunca.

Vamos, vamos – diz a mãe e o pai.

Rotina desgastante... Não encostar em nada. Tirar os calçados. Pôr as roupas para lavar. Cuidados ao tirar a máscara.
Todos de banho tomado. Bebê quer mamar... Filho quer ajuda com a tarefa. O almoço, a casa. O pai e a mãe se fitam amorosamente como se dissessem: “força!” E um ampara o outro.

– Mamãe! Já terminei a atividade. Posso jogar?

– Não.

– Mas, Mamãe! Já terminei a atividade. Posso jogar?

– Não.

– Mas, mamãe... Uixxx que chaaataaa.

– Tá, joga uns minutinhos até que o almoço fique pronto.

O almoço na mesa. A família reunida. Conversa, come e interage. Pai serve prato do filho. Mãe dá comidinha para a bebê.

– Mãe, quero suco!

– Pai, corta a carne?

– “Água”, “água” fala a bebê...

Nesse meio tempo, mamãe e papai comem também...
A hora já está avançada. Sorte da mãe que hoje só tem compromisso obrigatório no trabalho à tarde e pode contar com o revezamento que faz com o pai nessa ocasião de pandemia.

– Vamos, pessoal? Limpar tudo que às 13:30h inicio. E ainda tenho de me arrumar, ligar o computador e dar de mamar.

Filho quer descansar.

– Mas, mãe, estou cansado! Quero dar uma descansadinha... minha comida nem desceu!

– Ajuda a tirar a mesa, guri! Daí a comida já vai descendo... depois “tu descansa”. Vamos!

– “Só enche o saco”!

– O quê? – diz a mãe.

O silêncio impera e todos se ajudam... trabalhando, organizando e respirando.
Mamãe amamenta. O mundo ao redor da paz se alimenta.
Mamãe respira. Olha a bebê. Sorri.

– Quase na hora, alguém vem me ajudar! Peguem a bebê que preciso me conectar...

Bem, vou deixar a mãe descansar porque já é meia-noite e meia e a mãe ainda está aqui acordada, pensando e escrevendo... Os filhos, tão puros e lindos, abraçados por cima dela e do pai, dormindo num sono profundo... Talvez em outro momento dê para continuar contar a história.

Hasta la vista, baby!

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