Eu tenho andado tão sozinha ultimamente… dentro de mim! Às vezes saio a caminhar pelas ruas à procura dos mistérios… dos mundos externo e interno. Sempre gostei da sensação de controle: de ter tudo organizado a partir do esquema mental arquitetado por mim.

Ser mãe e professora reforçou esse perfil, pois, no papel de mãe organizo diariamente a rotina familiar e no de professora a sala de aula (com planos A, B e C para as aulas - hoje híbridas!). Comecei a perceber (ainda bem!) que viver é confusão e uma tentativa de colocar alguma ordem no caos diário (in)controlável. E ser feliz é, justamente, “repousar” dentro desse cenário (im)perfeito.

Vida é insegurança. Obviamente, não lembramos, todavia, que um dos nossos maiores desafios talvez tenha sido competir com milhares de espermatozoides para penetrar o óvulo e garantir a nossa sobrevivência. Desde que nascemos, deparamo-nos com desafios diários a partir do nosso contato com o mundo externo. Assim, esforçamo-nos para respirar e aprender a sugar e digerir o alimento a nós fornecido (desde o princípio), a fim de mantermos a nossa sobrevivência.

Viver é, pois, tentar obter alguma certeza num mar aberto de interrogações que nos rodeiam. E eis o ponto: tudo está em aberto. E nada está garantido para ninguém. A saúde. O emprego. A carreira. A promoção. O diagnóstico. A vida. A sensação de segurança não deixa de ser ilusória, embora correr atrás de “algo seguro” também nos (me) motive!

Vida é sofrimento. A contemporaneidade nos trouxe a falsa ideia da busca pela felicidade contínua e permanente em contraponto a um mundo frenético e imediatista. Mas a vivência cotidiANA me fez entender que viver é tentar desfrutar de alguns momentos de paz e alegria em meio a um fluxo de inusitadas e inúmeras boas e más notícias e experiências…, perseguindo a realização pessoal e lidando com o sentimento de falta, como já abordou Shel Silverstein, na obra “A parte que falta”. Além de tudo, não bastasse todo esse paradoxo, viver é confrontarmo-nos e enfrentarmos, ainda, a (in)satisfação com a gente mesmo.

Dessa maneira, a falta versus a presença são marcantes em nosso “eu” e, assim, seguimos…, buscando meios de lidar com essa sensação de (in)completude. Se estamos em busca de conforto financeiro, quando o conquistamos buscamos investimentos que nos garantam mais e mais; se sofremos com ansiedade e conseguimos domá-la, não queremos o tédio…

Vida é perda. Estamos todos “por um fio” pulsando a mil num segundo e no outro “ploft”! Por isso, tentamos colecionar belas memórias com as escassas horas e economias que temos; enxergando pessoas passarem e irem embora deste mundo concomitantemente a tudo isso… e, antagonicamente, mesmo lamentando por eles, agradecemos por não sermos nós a partir daqui.

Nesse sentido, é necessário valorizarmos o “hoje” (o “agora”) que é o alicerce do que já conquistamos e do que ainda poderemos conquistar. Por essa razão, importa-nos comemorar os lindos momentos que estão acontecendo, sorrir (de corpo e alma), abraçar as pessoas que nos fazem bem, acolher os bons sentimentos quando surgirem… e nos “movermos” e “repousarmos” dentro desse cenário (im)perfeitamente (in)completo que somos nós.

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