Foto Arquivo Pexels
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Avalio que a escrita certamente já causou muito mais tremores e bloqueios do que hoje em dia. Todavia, passou o tempo, aprendeu-se a conviver com o universo da escrita, porém não chegamos ainda ao momento em que podemos afirmar as descobertas para os segredos desta área, tendo em vista que muitas pessoas ainda não adquiriram o sabor gratificante desta convivência. Assim, no meu entender ela tornou-se conhecida, mas não íntima.

Vivemos há décadas incertezas e questionamentos referentes à qualidade da educação básica, cenário este piorado, agora, em meio a uma época de pandemia causada pela Covid-19. Há manifestações públicas desfavoráveis à realização da atual data do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM 2020) em razão da desigualdade social imperante no Brasil, que trouxe à tona problemas recorrentes no cenário educacional, escancarando ainda mais esta disparidade, além da falta de acesso à internet por muitos cidadãos brasileiros.

No que tange à Redação, o exame, os vestibulares e concursos nos exigem muito mais do que rabiscos e arremedos de linguagem verbal lançados no papel. As falhas, sabemo-las, são de base. Mas saber não basta para atuar. A reforma do ensino, com o distanciamento da cultura humanística, devastou o debilitado saber, contribuindo para um ensino pragmático que se põe avesso “ao gosto pelas letras”.

Em contraponto à má qualidade do ensino, a sociedade (e o mercado de trabalho) busca por profissionais capacitados, habilidosos com a linguagem (escrita e falada) e comunicativos. Afinal de contas, comunicarmo-nos é criar, oferecendo a outrem “um pouquinho da gente”, das nossas opiniões, ideias e experiências de vida. É mostrarmos a nossa cultura e personalidade. Darmos a “cara à tapa”. A comunicação escrita – muito mais que a oral – é o nosso autorretrato; nossa imagem em jogo. A redação surge como uma espécie de espelho refletindo o que somos – um tipo de bagagem cultural.

Pratique e aprimore-se!

No entanto, entendamos o vestibular (e afins) como uma grande maratona, e suponhamos que, no lugar da redação (com número de linhas e tempo definidos), exigissem dos candidatos uma prova de corrida, na qual: “o candidato deverá correr 5 km em cinquenta minutos; caso não atinja o que fora estabelecido implicará, nesta prova, a atribuição do zero”.

Um percentual pequeno de candidatos (os que já praticaram corrida – um exercício regular pouco comum entre jovens desta faixa etária) não se preocuparia com a referida sabatina. Somente, ao longo do ano de preparação, seguiriam mantendo a forma. Os demais precisariam submeter-se a hábitos constantes e intensos, sendo exigidos deles muito empenho, ânimo, muita disposição e autodeterminação em praticar regularmente, muito mais do que uma vez por mês ou quinzenalmente.

A partir disto, criemos, então, um paralelo com a escrita da redação de vestibulares (e afins), permitindo-nos sentir o quanto nos falta, não para escrever algumas linhas (tanto como prepararmo-nos para correr suficientemente a fim de alcançar a linha de chegada), mas para escrevermos (ou corrermos – após a largada) o suficiente em técnica e correção, com limites de tempo e de número de linhas dentro de uma temática específica com argumentação consistente, de modo a nos permitir competir, mais do que meramente participar, a uma vaga na Universidade.

Desta maneira, é essencial que cada um, consciente de suas barreiras, de seus limites, entraves e necessidades, invista de corpo e alma à prática contínua com vistas a aprimorar o texto escrito, com base nas técnicas e orientações acessíveis e acessadas, acreditando em si mesmo, sentindo-se empoderado e capaz de, por meio de experiências continuadas, produzir um texto que alcance os padrões mínimos de objetividade, clareza e correção de ideias: pré-requisitos determinados e levados em conta na redação de vestibulares (e afins).

Crie o hábito de escrever

Bem, queridos leitores, como sempre há pedidos de “macetes” em sala de aula, elaborei uma estratégia para vocês (seguirem com autonomia), em relação ao aprimoramento da escrita de redação de vestibulares e concursos. A seguir, notem que há duas linhas: horizontal e vertical.

A linha vertical corresponde ao meio interno do indivíduo, ou seja, o lugar onde se encontram nossas responsabilidades e potencialidades simbolizada por meio de “eu + empenho (maior ou menor)”. Já a linha horizontal representa o meio externo (a que somos expostos) e diz respeito às reais possibilidades e vivências de cada um dentro do seu contexto de interação social e se caracteriza pela “prática + repertório sociocultural produtivo + prática...” (de cada indivíduo dentro da sua realidade).

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Assim, percebemos que todos, sem exceção, necessitam do hábito regular de escrita para aprimoramento da linguagem verbal a fim de dominar os usos impostos pela sociedade (excludente) e, mesmo não tendo acesso à educação de qualidade e a cursos de Redação (neste caso, a maioria), uma pessoa pode adquirir essa rotina de escrita por si só, com autonomia e disciplina para iniciar a atividade habitual com o ato de escrever.

Portanto, caros leitores, entende-se que, para aprimorar a escrita, a regra é: “escrever? Só escrevendo...!” E buscando subsídios (externos) para tal ação (interna), como leitura e informação. Pelo retorno que recebo em sala de aula e em cursos por Santa Catarina, são poucas as pessoas que, ao receberem a incumbência de escrever algo (na escola ou no trabalho), ainda que um simples e-mail, não se sentem inibidas e experimentem uma sensação paralisante.

De acordo com os relatos pessoais a mim narrados, ocorre, muitas vezes, um branco em suas mentes. Aparentemente, vivem minutos – minutos?! – de ansiedade, aflição, agonia, roem unhas, balançam as pernas, mordem canetas e nada sai... Restando, apenas, o olhar para o papel em branco. Já parei para refletir... O que sucede, se tal conduta acontece até mesmo com pessoas de satisfatório conhecimento, com administradores e economistas desenvoltos?

Dicas para aperfeiçoar a escrita

Em primeiro lugar, em análise objetiva, há a falta de hábito da escrita e da leitura. Em segundo lugar, em análise subjetiva, o entrave psíquico. Quando escrevemos, lidamos com nossas inseguranças porque temos de nos expor. De modo geral, temos pouco receio de sermos zombados pelo que falamos (no dia a dia), contudo não aceitamos a possibilidade de chacota pelo que escrevemos. Historicamente, apresenta-se a força do documento!... (ainda por cima, acrescida por nosso nome e assinatura...!)

Vale ressaltar que, em grande parte das vezes, falar bem não significa necessariamente escrever bem. Na fala, valemo-nos de recursos extras, como os gestos, as expressões faciais, a tonalidade e ritmo da voz e outros. E, ainda, na linguagem oral nem sempre seguimos uma linearidade, somos repetitivos e, até mesmo confusos, sem que ninguém nos “distrate”. Na escrita da redação técnica, de vestibular (e afins), ao contrário, a objetividade e a clareza são características inerentes e relevantes, porque não seremos indagados no caso de alguma dúvida.

Daí residem os brancos ou bloqueios e só com muita prática e rotina, regadas de entusiasmo e força de vontade, teremos a autoconfiança afagada para que o nosso ato de escrever não se torne uma tarefa penosa, e, aparentemente, impossível. Pois bem, como proceder ao deleite nesta relação com a escrita?

- Praticando! Escrevendo todos os dias. É fundamental ler e escrever.

- E tempo, professora?
- Todos arrumam tempo. É apenas um detalhe: uma questão de organização e de saber aproveitá-lo. Permita-se dez minutos diários para uma leitura e mais dez minutos para a produção de uma pequena redação, o que resultará em 20 minutos. Faça deste exercício uma rotina e... pode ser que até o gosto pelas letras você seja capaz de adquirir.

- Mas, professora, adianta escrever se ninguém corrige?

- Claro que sim! Se você escrever diariamente irá se soltar e, aos poucos, se desinibir... Assim, você vai começar a adquirir “jeito para a coisa”, atentando-se ao texto, ao diálogo, às palavras e seus sentidos, à sua caligrafia... E sanando dúvidas variadas, como, por exemplo, de ortografia (você pode consultar o dicionário, o VOLP e boas referências para lhe auxiliar nesta atividade), ganhando, assim, fluência nesta área. Pode também compartilhar seu texto com algum leitor da sua confiança. Só não vale “a minhoquinha do word”!

- Entendi, professora. Mas, sobre o que vou escrever?

- Sobre o que quiser. No início, é indicado escrever a respeito de fatos ou histórias que já ocorreram com você, uma vez que relatamos melhor contextos já vividos e/ou conhecidos (por isso uma sugestão poderia ser a escrita de um Diário manuscrito ou digital).

Posteriormente, você pode escrever sobre uma notícia que leu e/ou assistiu e realizar um comentário a respeito dela. Também pode fazer um comentário sobre uma cena de um filme que muito lhe chamou a atenção. Em seguida, você pode argumentar acerca de um tema subjetivo.

Há mil e uma possibilidades de exercitarmos nossa escrita. Podemos, ainda, reproduzir com nossas palavras um texto que tenhamos lido (obra, quadrinhos, anúncio publicitário), ou, reescrever redações que voltam de leituras e correções de um leitor amigo ou professor, corrigindo as falhas assinaladas, ampliando o texto com novas ideias, enriquecendo o vocabulário, detalhando fatos.

Outra tática que funciona é ouvir uma música que você gosta muito e, após, discorrer sobre ela. Descrever uma foto que lhe traz boas recordações. Também escrever um texto se colocando no lugar de um animal exótico ou em extinção, por exemplo. E por aí vai... O importante é traçar as suas metas, fazer escolhas e assumi-las: pratique!

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