Foto Arquivo Pexels
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Vamos fingir que hoje é 1º de abril e a vontade de fazer “uma pegadinha” (contar uma mentirinha para alguém) está nos matando, uma vez que estamos no período de isolamento social – somente mãe, pai e filhos em casa – e seria difícil criar uma situação favorável para agir com uma boa dose de humor (rs). Eis que nos surge a ideia...

Esta ideia, para uma “pegadinha nos avós”, é tão terrível que, logo depois de tê-la, já me arrependi. Mas já estava tida, não adiantava mais. Marido e filho animadíssimos com a situação.

Portanto, decidimos continuar. Muito bem, vamos em frente. Talvez, transcrita no papel, a brincadeira de família em época de coronavírus e pandemia perca um pouco do seu poder. Foi assim: houve uma onda com várias sugestões de atividades e brincadeiras para as crianças espalhadas pela rede, uma vez que agora estão todos mais conectados via “internet” do que nunca!

Tecnologia que assusta

O Google possibilitou colocarmos animais em 3D com a câmera do celular, usando RA (realidade aumentada). A gigante das buscas lançou esse recurso (dizem que em 2019), mas ele viralizou, nesta fase, aqui no Brasil – ou para mim, pelo menos. Com ele, conseguimos ver a espécie de animal escolhida no mundo real usando a câmera, além de poder girá-lo, aproximá-lo e afastá-lo. Bem interessante.

Desse modo, mandamos WhatsApp para os avós maternos, um casal que mora sozinho e, como todos, se mantêm em isolamento. Junto com a foto do neto assustado do lado de um cachorrão foi a legenda: “Oi mãe! O cachorro do vizinho estava há dias sem sair e muito nervoso entrou no nosso apartamento e mordeu, nosso filho, teu netinho. Papai está indo com ele para o hospital.”

Já pensaram na neura, né? Vovó ligou imediatamente, traída pela visão (imagem), assemelhando-se a São Tomé, e a risada foi garantida! Coitada da “véia” gritava o papai, e a vovó suspirava, seu ar faltava e a cabeça já lhe doía. No fim, tudo certo. Amenizado. Todos rindo e a piada ficou para a história dos netos que, certamente, os amam e se divertirão com memórias no futuro. Só não entendemos como caíram... Será que alguém em perigo iminente teria tempo para fazer um registro fotográfico preciso?

Mas, adiante! Existe outro casal de avós: os paternos. E ali “o buraco é mais embaixo, pois a vovó é extremamente apavorada” – mandamos WhatsApp com a imagem da nora e filhos em cima da cama, sendo surpreendidos por uma cobra, com a seguinte legenda: “Oi vovó, estávamos dormindo hoje à tarde e o papai chegou no quarto e viu uma cobra na nossa cama. Acho que subiu pela árvore ao lado do prédio e entrou pela janela. Na tentativa de nos proteger ele foi tirar a cobra e levou uma picada na outra mão... (uma das mãos já estava ferida) agora não pode usar nenhuma das duas!”

Você, leitor, já deve estar sentindo o que vai acontecer. Pare de ler, se desejar. Eu não consigo parar de escrever e relatar – estou aqui sentido o coração palpitar, a culpa e o riso insistem em me acompanhar. Nessa ocasião de isolamento social, as imaginações não podem ser desperdiçadas, embora nos custem os familiares.

A desordem já começou com a confusão nas ligações... Ligaram-nos, caiu. Ligamos e dava sinal de ocupado. E as tentativas se repetiam... Até que, conseguimos, finalmente, completar a videochamada! Neto fala com avô.

Responde que o pai foi mordido por uma cobra e está no hospital. E que ele e a irmã estão em casa com a mãe. Avô pede para falar com a mãe. Relata que a avó está mal; deitada na cama. Sem forças. Desfalecida. Meu Deus! Como dizer que tudo não passa de uma brincadeira?

Bem, o neto vira o celular e o povo grita para o avô:

_1º de abril!
Avô dá um sorriso amarelo.
Avó recebe o celular do marido.
O povo grita para a avó:
_1º de abril!
E ela, chorando:
_O que está acontecendo?
O povo grita para a avó:
_1º de abril!
E ela, chorando:
_O que está acontecendo?
O povo grita para a avó:
_1º de abril!

Ao passo que ela acaba de entender, pois o filho está “aparecendo” (sorrindo descaradamente) na videochamada...

E, assim, temos um fim do dia 1º de abril: animado e cheio de graça (em contradição com uma condição de isolamento social por causa da terrível pandemia) e, certamente, os netos e avós guardarão na memória essa inusitada história.

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