Por Dr. Vicente Caropreso
Médico Neurologista e Deputado Estadual

Foto: Divulgação
No dia 26 de março, a cor roxa ganha destaque em todo o mundo e chama a atenção para uma causa urgente. O Purple Day convida à conscientização sobre a epilepsia e à reflexão sobre como a informação, o respeito e o acesso ao tratamento ainda fazem falta na vida de milhares de pessoas.
Embora seja uma condição neurológica comum, que atinge pessoas de todas as idades, a epilepsia ainda é cercada por desinformação, medo e preconceito. No Brasil, cerca de 1% da população vive com a doença, o equivalente a aproximadamente 3 milhões de pessoas, com 200 mil novos casos por ano. Em Santa Catarina, estima-se que mais de 130 mil pessoas convivam com essa realidade. São números expressivos, mas o maior desafio vai além das estatísticas.
A epilepsia é uma doença crônica marcada por crises causadas por descargas elétricas anormais no cérebro. Com tratamento adequado, cerca de 70% dos pacientes conseguem controlar as crises. Outros 20% convivem com episódios recorrentes e cerca de 10% enfrentam formas graves, de difícil controle, que podem exigir cirurgia.
Apesar dos avanços da medicina, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento ainda é limitado. Em muitas regiões, exames essenciais não estão disponíveis com qualidade, e os medicamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde nem sempre acompanham a evolução científica, restringindo opções mais eficazes.
Como médico neurologista, acompanho de perto a dificuldade de pacientes que, muitas vezes, precisam recorrer à Justiça para garantir tratamento adequado, o que evidencia a urgência de políticas públicas mais eficientes.
Mas um dos maiores desafios ainda é o preconceito. A falta de informação gera exclusão, limita oportunidades e impacta a qualidade de vida. Muitas pessoas enfrentam barreiras na escola, no trabalho e nas relações sociais, carregando um estigma que precisa ser superado.
O Purple Day reforça a importância de informar e conscientizar, inclusive sobre como agir diante de uma crise. Informação salva vidas e promove inclusão.
Santa Catarina já foi referência no tratamento da epilepsia e precisa retomar esse protagonismo, ampliando o acesso a exames, modernizando terapias e fortalecendo a rede de atendimento.
Mais do que iluminar prédios de roxo, é preciso iluminar consciências. Conscientizar é incluir. Garantir acesso ao tratamento é assegurar dignidade.