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Entre avanços e feridas abertas: o desafio de proteger as mulheres em SC

Foto: Freepik

Por: Dr. Vicente Caropreso

07/03/2026 - 06:03

Por Dr. Vicente Caropreso

médico e deputado estadual

 

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O Dia Internacional da Mulher é uma data de reconhecimento das conquistas femininas, mas também de reflexão sobre desafios que ainda persistem. Santa Catarina é terra de mulheres que inspiram, lideram e fazem a diferença no setor privado, no serviço público e na política.

Um exemplo simbólico vem do município de Schroeder. Pela primeira vez em mais de seis décadas de funcionamento do Legislativo municipal, a Câmara passou a ter maioria feminina. Cinco das nove cadeiras são ocupadas por mulheres. Um fato inédito em Santa Catarina que mostra o avanço da participação feminina nos espaços de decisão.

Mas esse cenário de conquistas convive com uma realidade dura: a violência contra a mulher.

Em 2025, o Brasil registrou cerca de 1.500 feminicídios, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. Em quase 90% dos casos, o crime é cometido por companheiros ou ex-companheiros, muitas vezes dentro da própria casa da vítima.

Santa Catarina também enfrenta números preocupantes. Entre janeiro e novembro de 2025 foram 48 feminicídios, praticamente uma mulher morta por semana, além de 225 tentativas de feminicídio. No mesmo ano, a Justiça concedeu 31.655 medidas protetivas, cerca de uma a cada 15 minutos. Em janeiro de 2026, mais de 3 mil novos pedidos de proteção já haviam sido registrados.

E o ano mal começou. Até fevereiro, Santa Catarina já contabilizava oito feminicídios. Entre eles, o caso de Priscila Dolla, de Rio Negrinho, que chegou a gravar as agressões e implorar para não ser morta.

Esses dados ainda não mostram toda a dimensão do problema. Casos de assédio e estupro também seguem em números alarmantes e, muitas vezes, sequer chegam a ser denunciados.

Esses números não são apenas estatísticas. São histórias interrompidas, famílias destruídas e filhos que crescem sem suas mães.

Por isso considero extremamente importante a nova campanha do Governo do Estado de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa busca romper o silêncio e convocar toda a sociedade, especialmente os homens, a rever comportamentos. Precisamos enfrentar uma cultura patriarcal ainda presente em muitos ambientes.

Na Assembleia Legislativa também tenho defendido medidas concretas. Um projeto de minha autoria permite que mulheres possam adquirir dispositivos de eletrochoque para defesa pessoal. É um instrumento de proteção, pois sabemos que a polícia não pode estar em todos os lugares.

Outra proposta cria a Política Estadual de Reeducação de Homens Autores de Violência Doméstica, com acompanhamento psicossocial obrigatório. O objetivo é quebrar o ciclo da violência e reduzir a reincidência, evitando que novas mulheres se tornem vítimas.

Celebrar as mulheres é reconhecer sua força e sua contribuição para a sociedade. Mas protegê-las é uma responsabilidade coletiva. Uma sociedade verdadeiramente justa não tolera a violência e trabalha todos os dias para garantir respeito, segurança e dignidade para todas.

 

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