De acordo com o Relatório Anual do Desmatamento no Brasil, Santa Catarina registrou um aumento de 193% no número de alertas de desmatamento entre 2019 e 2021. No Estado, quase 4 mil hectares de Mata Atlântica foram perdidos neste curto período de tempo. Segundo a SOS Mata Atlântica, em 2021, Santa Catarina contava com apenas 22,8% da mata preservada.
Conforme o levantamento, em 2019 foram registrados 130 alertas de desmatamento no Estado. Em 2020 o número saltou para 354, e, em 2021, manteve o aumento, com 384 alertas.
Jaraguá do Sul se encontra na contramão à tendência: com mais de 40% da vegetação preservada, o município é abraçado pela Mata, que reconquistou o próprio espaço em sintonia com o crescimento da cidade.
De acordo com dados da fundação SOS Mata Atlântica, existem 23,1 mil hectares de floresta preservada no município, o que representa 43,7% do território. Comparado ao restante do país, o índice é extremamente positivo: No Brasil, apenas 11% da Mata Atlântica permanece viva nos 17 Estados pela qual ela se estende.
Segundo o diretor da Fundação Jaraguaense do Meio Ambiente (Fujama), Cesar Rocha, isso se deve a um fator: a industrialização da cidade. Segundo Cesar, o êxodo rural causado pela fundação e assentamento de empresas na região de Jaraguá do Sul fez com que a mão de obra rumasse do campo à indústria, fazendo com que as regiões desmatadas para cultivo de cana-de-açúcar fossem novamente tomadas pela mata nativa.
“Hoje temos quase 50% da mata nativa original preservada. Se você ver registros dos anos 1970 e 1980, vai notar que os morros ao redor da cidade eram pelados. Isso mudou quando a Weg foi fundada, além de outras empresas que surgiram ou que se instalaram por aqui.”
A afirmação é confirmada pelos números: segundo dados oficiais, hoje são 23.297 hectares de Mata Atlântica no município, o que corresponde a 30 estádios de futebol e 44% do território de Jaraguá do Sul. Este padrão segue nas cidades industrializadas. Joinville, por exemplo, tem 54% da área total tomada pela vegetação.
Para Rocha, essa retomada da mata nativa e a preservação dela se dão por 2 alicerces: a fiscalização constante dos órgãos competentes e a Lei da Mata Atlântica de 2006. Enquanto a Lei estipula que novas construções preservem, obrigatoriamente, 30% da vegetação do lote, a fiscalização realizada pela Fujama é capaz de coibir o desmatamento irregular.
“Temos um órgão ambiental que é forte e fiscaliza. Nossos índices de desmatamento também são baixíssimos, de forma que conseguimos regulamentar a derrubada da Mata apenas dentro do que a Lei permite. Lembrando que além da fiscalização via satélite e dos fiscais que circulam pela cidade, temos também uma ouvidoria onde os próprios cidadãos podem denunciar”, afirma Cesar.
No entanto, ainda segundo o diretor, o município enfrenta um problema de habitação que reflete diretamente na preservação da mata nativa.
“Nosso grande problema são as ocupações irregulares, de loteamentos irregulares. O Boa Vista, por exemplo, começou como uma ocupação irregular que precisou pôr ao chão alguns hectares de Mata Atlântica. Precisamos de uma solução do poder público para harmonizar essa chegada de pessoal à cidade e a preservação ambiental”.
Região
Assim como Jaraguá, os municípios vizinhos também registraram pouco ou nenhum desmatamento nos últimos anos e apresentaram bons índices de preservação do bioma em seus territórios. Segundo o Atlas, Schroeder tem 60,97% da mata original preservada. São 10.022 hectares de mata em meio às serras, dentro de 16.438 hectares de área total.
Boa parte dessa mata preservada faz parte da Reserva Ecológica do Bracinho, com aproximadamente 4.780 hectares que se estendem também ao território de Joinville. A reserva se encontra em um dos maiores maciços florestais contínuos de Mata Atlântica.
Corupá também preserva aproximadamente metade da Mata Atlântica original, com 49,67% dela intacta. Massaranduba preserva 30,78% e Guaramirim 27,36% do bioma.